Chuva atinge 33 municípios gaúchos e três decretam emergência

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A continuidade da chuva e o consequente aumento do nível dos rios trouxe ainda mais transtornos, nesta terça-feira (14), a moradores de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. No início da noite, segundo a Defesa Civil, 33 municípios foram afetados pelo aguaceiro. Os principais estragos voltaram a ser registrados no Vale do Sinos, no Vale do Paranhana e na Região Metropolitana. Pelo menos três cidades decretaram situação de emergência: Rolante, Riozinho e Esteio. À noite, 45,7 mil imóveis estavam sem energia elétrica.

Uma estimativa da Defesa Civil aponta que quase duas mil famílias estavam fora de casa: 600 foram levadas para abrigos e, pelo menos, 1,2 mil desalojadas preferiram ir para a casa de familiares. Mas os números cresciam – e devem continuar aumentando, já que a previsão é de mais chuva para esta quarta-feira (15).

– Estamos em alerta 24 horas, pois vem mais água aí. Os pontos mais críticos do Estado são os rios da bacia do Caí e o Rio do Sinos, que estão subindo muito rápido. Moradores dessas áreas devem ficar em alerta – orientou o subchefe da Defesa Civil, tenente-coronel Alexandre Martins.

Esteio, por ser a cidade mais baixa em relação ao nível do mar da região da bacia do Rio do Sinos, foi a mais atingida. Foram 200 milímetros em 36 horas, provocando a maior enchente da história do município. Até as 23h de segunda-feira (13), o dique que está em fase final de construção no Arroio Sapucaia não deu conta dos então 100 milímetros de chuva e transbordou.

Centenas de imóveis foram invadidos pela cheia, entre eles o Mini Mercado Milico, no bairro Ezequiel. Com a água batendo na cintura, durante a tarde, a família proprietária do mercado contabilizava os estragos: somente um terço poderia ser salvo.

– Na madrugada, começou a entrar água e já não tinha mais o que fazer – contou Luiz dos Santos Fagundes, 38 anos, um dos donos.

De jet skis a barcos, emprestados por diversos voluntários, foram usados nos resgates, até mesmo de cães. Militares do Exército e servidores da Defesa Civil também ajudaram nos resgates. Com a água batendo na janela, a dona de casa Taty Albuquerque, de 39 anos, desabafou:

– O barco encalhou na grade do muro e meu irmão ficou preso. O chão da minha casa partiu ao meio. Está um horror.

A obra apontada como “solução” para as enchentes de Esteio – e de cidades próximas como Canoas e Sapucaia do Sul – já foi aprovada e está licenciada. Trata-se da construção de uma bacia de reserva de água atrás da refinaria, a Refap, em um terreno de 62 hectares em Canoas. Por meio de canais, o espaço receberia toda a água que viesse em excesso pelo Arroio Sapucaia.

Para que o investimento saia do papel, basta que o governo federal, por meio do PAC, libere os R$ 136 milhões necessários. Assim, os prefeitos locais estão se mobilizando para, junto com o governador José Ivo Sartori, uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, com o objetivo de pressionar pela liberação dos recursos.