Mirtilo cresce no mercado agropecuário e tem RS como principal produtor no país

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Uma frutinha pequena, mas bem saborosa, está em crescimento no mercado agropecuário. É o mirtilo, que é consumido in natura e também na forma de doces e sucos.

Mesmo com seu pequeno tamanho, os benefícios para a saúde são imensos. Estudos comprovam que propriedades do alimento ajudam no combate e na prevenção de muitas doenças, o que tem motivado o consumo.

A “blueberry”, como é chamada a fruta nos Estados Unidos, é bastante famosa e faz parte do consumo dos nortes-americanos, como também dos europeus. No Brasil, o alimento começou a ganhar espaço nos últimos anos.

No país, o principal produtor do mirtilo é o Rio Grande do Sul, que conta com 60 produtores cultivando a fruta. Para a produção, uma das principais vantagens é que não há necessidade de ter uma grande área de terra. Para se ter noção, um hectare fornece a capacidade de produzir mais de 10 toneladas da fruta por ano.

No norte do Rio Grande do Sul, em Lagoa Vermelha, o produtor rural Juliano Sutil Gorchevski, decidiu investir na fruta há cinco anos. Sua propriedade tem somente três hectares, e um deles é ocupado apenas pelo pomar.

O fator rentabilidade foi justamente o atrativo para os produtores rurais investirem na produção do mirtilo. “Vamos girar em torno de 50, 60, até 80 mil reais em uma área pequena, que hoje, se fosse plantar qualquer outra cultura, não ia ter essa rentabilidade nunca”, conta o produtor.

Uma das apostas de Juliano tem sido na produção local de geleia, que já sai da agroindústria da família pronta para venda. O produtor rural conta que o mercado está em crescimento e consumidor, cada vez mais, vai conhecendo o alimento. A expectativa dele é que em 2018 a colheita seja em torno de cinco a seis toneladas.

O Rio Grande do Sul produz, aproximadamente, 270 toneladas, que são distribuídas na maioria das regiões do estado. E o seu maior potencial está nos locais com temperaturas baixas. Através de um sistema antigeada, as plantas congelam no inverno. Isso garante a produção da fruta entre os meses de novembro e janeiro.

O engenheiro agrônomo da Emater, Vilson Antônio Nadin, alerta que não existem ataques de insetos e doenças, tendo em vista que as áreas de plantio são pequenas. A única prevenção que se faz é no início da plantação contra o ataque de formigas.

Uma das características mais importantes do mirtilo está na sua exigência com a irrigação. “Se eu não irrigar, não vou conseguir produzir. Embora ela seja uma planta de clima frio, não tolera geadas durante a floração”, conta o engenheiro agrônomo.

Na média, as frutas começam a se desenvolver apenas dois anos depois do seu plantio, com a produtividade aumentando a cada ano. E a colheita do mirtilo precisa ser feita manualmente, por isso, o principal investimento dos produtores rurais é na mão de obra.

Além da venda in natura, a produção gaúcha da fruta abastece a indústria de polpas, sucos e iogurtes do próprio Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo.