O tratamento deste tipo de doença é lento e exige tanto um acompanhamento nutricional quanto psicológico

Tristeza, raiva, angústia, medo e ansiedade são sentimentos muito realçados na adolescência. E, muitas vezes, os jovens costumam descontar suas frustrações na comida, seja comendo demais ou de menos. Se você têm um adolescente em casa se comportando de maneira estranha com relação à alimentação, ligue o sinal de alerta! Ele pode estar sofrendo algum transtorno alimentar.

Segundo Giuliana Carmo Temple, professora de psicologia da Faculdade Pitágoras Londrina, anorexia nervosa bulimia nervosa e compulsão alimentar são os principais transtornos alimentares da adolescência. Entre as adolescentes brasileiras, cerca de 1% sofre de anorexia ou bulimia nervosa, por exemplo.

Na anorexia, a jovem altera sua imagem corporal e busca constantemente a magreza. Por mais que emagreça, ela tem sempre uma imagem distorcida ao se olhar no espelho, sempre se sentindo gorda. Já a bulimia nervosa é caracterizada pela ingestão compulsiva de alimentos acompanhada por um sentimento de culpa intenso, que pode gerar a indução de vômitos, uso de laxantes e diuréticos ou prática de exercícios intensos.

A compulsão alimentar é associada a níveis de ansiedade muito elevados, temporários ou permanentes. Nestes casos, a ingestão de alimentos gordurosos aumenta bastante e a pessoa como compulsivamente, sem controle.

“Nesta faixa etária, o isolamento, os problemas de relacionamento, a vergonha com o corpo, a distorção da autoimagem, o aumento de apetite e os modismos alimentares são característicos e esperados. Fazem parte da chamada Síndrome da Adolescência Normal”, relata Mariá Valentim, da Clínica Primmage Leblon, especialista em nutrição clínica pela Unisuam.

Mas se seu filho apresentar algum sintoma, não hesite em procurar ajuda! Por não ser uma doença causada por fatores biológicos, mas sim psicológicos e emocionais, é necessário um acompanhamento multidisciplinar, com psicólogos, psiquiatras e nutricionistas, envolvendo todo ambiente familiar.

“É importante não haver cobrança ou críticas exageradas vindas de amigos e familiares. A compreensão sempre é o melhor remédio para ajudar a quem se ama. Não há uma cura fácil, mas uma luta constante”, encerra Mariá.

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