Responsável por 70% dos casos de câncer do colo do útero, o HPV, conhecido por Papiloma Vírus Humano, é um vírus que infecta a pele e a mucosa. A cada ano, cerca de duzentos e setenta mil mulheres morrem em todo o mundo, por decorrência de tumores no colo do útero, causados pelo HPV. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do câncer, o Inca, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer que mais mata mulheres, atrás apenas do câncer de mama e de pulmão, respectivamente. Mesmo sendo esta uma ação essencial para prevenção de um possível câncer futuro, algumas famílias não têm levado suas filhas para a vacinação, sob a alegação de questões pessoais e religiosas, uma vez que a imunização traz à tona o tema do sexo e, na opinião de alguns, a vacina poderia influenciar as meninas para uma iniciação precoce da vida sexual e, até mesmo, fazer as jovens desistirem do uso de camisinha pela ideia de proteção. A professora do departamento de psicologia clinica da Universidade de Brasília e Coordenadora do grupo de pesquisa “Saúde mental e Gênero” com foco nas mulheres, Valesca Zanelo, afirma que não existe nenhum tipo de relação entre a aplicação da vacina e qualquer comportamento sexual futuro.

“Um tema que precisa ser melhor esclarecido é o tema da sexualidade. A sexualidade tem sido confundida com genitalidade. Sexualidade quer dizer que a gente tem um corpo capaz de sentir prazer e desprazer. Então, sexualidade existe desde quando a gente nasceu. Agora, genitalidade, em geral, ela começa na adolescência. A vacina não tem nada a ver em estimular a genitalidade. Eu acho que os pais têm de se preocupar com a saúde de suas filhas e, realmente, fazer a vacina.”

A médica pediatra e professora da universidade de São Paulo, Ana Maria Escobar, explica que a vacina contra o HPV é mais eficaz em pessoas de 9 a 13 anos, pois, nessa idade, a maioria das meninas ainda não iniciou a vida sexual e, portanto, há uma maior produção de anticorpos contra o HPV.

“E essa idade de 9 a 13 anos é fundamental. Porque é uma idade que normalmente é precoce, antes do inicio das atividades sexuais. Então não é uma vacina que libera todo mundo para a atividade sexual. Não. É uma vacina que protege, para que quando, na hora certa, as meninas começarem com as atividades sexuais.”

Também existem pais preocupados com possíveis efeitos colaterais da vacina, baseados em alguns boatos, não comprovados, que circularam no país. No entanto, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, esclarece que a vacina é totalmente segura e indispensável para a prevenção do Câncer do Colo do útero.

“A vacina não causa eventos adversos graves, é uma vacina segura já demonstrada de custo benefício, quer dizer, ela é capaz de evitar uma doença grave que é o câncer do colo do útero e ela não tem uma incidência maior de relatos de eventos adversos realmente relacionados a ela maior do que tantas as outras vacinas que a gente faz de rotina para as crianças, adolescentes e adultos no mundo inteiro.”

A estimativa do Ministério da Saúde é de que ocorram no país 15 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano causado por HPV. Ao todo, existem centenas de tipos de HPV. A vacina disponibilizada pelo SUS previne contra quatro tipos causadores da doença: os tipos 16 e 18, que estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero, e os tipos 6 e 11, que são presentes em 90% dos casos de verrugas genitais Este ano, mais de dois milhões de meninas já vacinaram contra o HPV. Como por exemplo, a Ana Julia, de 11 anos, que foi levada pela mãe, a dona de casa, Mônica Duarte, para ser vacinada na escola em que estuda em Taguatinga, no Distrito Federal. Mônica destaca a importância da vacina não só para sua filha, mas para todas as meninas do país.

“Ela vacinou no próprio colégio. Eu achei muito importante por causa da prevenção do câncer do colo do útero. Então, eu achei essencial. Se isso fosse há alguns anos atrás, eu também iria fazer essa prevenção.”

A vacina é disponibilizada gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde do SUS ou em escolas parceiras. Ela foi introduzida no calendário nacional de vacinação no ano passado para atender meninas de 11 a 13 anos de idade. Este ano, o Ministério da Saúde está priorizando a vacinação de crianças e adolescentes de 9 a 11 anos. As meninas e adolescentes com 12 e 13 anos, que ainda não tomaram a primeira ou a segunda dose, também devem procurar as unidades de saúde para atualizarem o cartão de vacinação. A criança ou a adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção. Quem recebeu a primeira deve receber agora a segunda dose, administrada seis meses depois da primeira, e a terceira, cinco anos após a primeira dose. A meta do Ministério da saúde é de que até o final do ano, 80% das meninas com idade entre 9 e 11 estejam vacinadas. Se você é mãe, pai ou responsável por menina nesta idade, leve-a a uma Unidade de Saúde e leve junto o cartão de vacinação. A vacina é o único meio de garantir a proteção contra o HPV pelo resto da vida. Obtenha mais informações sobre a vacina contra o câncer do colo do útero e o HPV em uma unidade de saúde mais próxima de sua casa e no portal do Ministério da Saúde na Internet, www.saude.gov.br/hpv.

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