No início do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco abriu a Porta Santa da Basílica São Pedro, em Roma, no dia 08 deste mês. Hoje, ele abriu a Porta Santa da Catedral cidade, a basílica São João de Latrão e cada bispo abriu a mesma porta na Catedral de sua respectiva Diocese. Dom José procedeu a este rito às 09h, com cerimônia iniciada na Praça da Bandeira, em frente à Prefeitura municipal de Erechim, seguindo em procissão até a Catedral, acompanhado pelo bispo emérito, Dom Girônimo Zanandréa, seis padres (Alvise Follador, André Lopes, Dirceu Balestrin, Ângelo Perin, Anderson Faenello, Antonio Valentini) um diácono, ministros, religiosos e religiosas e expressivo número de fiéis.

No início do rito, o Bispo proclamou parte de salmo que proclama a misericórdia divina e dirigiu a Deus oração pedindo que a Igreja revele a todas as pessoas o mistério do amor divino. O diácono proclamou uma das parábolas da misericórdia, a da ovelha perdida que o pastor busca e reintegra ao rebanho. O pároco da Catedral, Pe. Alvise, leu passagem do documento do Papa Francisco sobre o Jubileu da Misericórdia. Em procissão e cantando, todos se dirigiram à Catedral. Em frente à porta especialmente preparada, o bispo com o Evangeliário nas mãos, recordou as palavras de Cristo “eu sou a porta, quem passar por mim será salvo”. Depois de oração silenciosa, abriu a Porta da Misericórdia e todos entraram no espaço litúrgico.

Chegado ao altar, Dom José procedeu à incensação e abençoou a água com a qual aspergiu a assembleia litúrgica, recordando a vida nova do batismo.

Na homilia, inicialmente, Dom José se referiu ao Jubileu da Misericórdia como tempo especial da graça de Deus para a Igreja ajudar as pessoas a buscar o essencial em sua vida, curar as feridas da alma e cada cristão ser sinal da ternura de Deus e ir ao encontro de quem precise de um sinal da proximidade dele. Depois, ressaltou aspectos das leituras e do evangelho. Da primeira, do profeta Sofonias, que consolava o povo e o exortava à alegria e a retomar a confiança em Deus, pois ele não abandona seu povo. Da segunda, de São Paulo que, mesmo na prisão, exortava aos fiéis a viverem a alegria, pois Deus ampara sempre a todos. Do evangelho, a pregação contundente de João Batista que realizava um batismo de penitência a quem se dispunha à conversão para acolher o Salvador. Aos que lhe perguntavam o que deviam fazer, como as pessoas em geral, os soldados e os cobradores de impostos em especial, ele apontava a partilha dos bens, a prática da justiça e evitar a violência. Concluindo sua reflexão, o bispo convidou a todos a se perguntarem também o que poderiam fazer para que a misericórdia do Pai possa entrar pela porta do seu coração, mude a sua vida e fortaleça a sua comunhão com o Senhor Jesus, com as pessoas da família, do local de trabalho e da comunidade.

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Íntegra da homilia de Dom José

Saúdo o caro irmão Dom Girônimo, os sacerdotes, o diácono, as religiosas e religiosos, os fiéis aqui presentes e aqueles que nos acompanham através da Rádio Difusão. Com estima, lembro o povo de Deus das nossas comunidades, os enfermos e seus familiares, os idosos, os encarcerados, e também aqueles que perderam a fé em Jesus nosso Senhor e Salvador e deixaram de confiar na misericórdia do Pai.

Hoje, com a abertura da porta santa, iniciamos o Jubileu do Ano Santo da Misericórdia em nossa Diocese e em todas as Dioceses do mundo. Assim, somos todos convidados a viver um tempo extraordinário de graça, e a Igreja, na sua missão de evangelizar, é chamada a despertar nos corações de todos a capacidade de olhar para o essencial. Os fiéis são chamados a serem sinais da ternura que Deus oferece ao mundo inteiro, sobretudo aos que estão na tribulação, vivem sozinhos e abandonados, e também sem esperança de serem acolhidos, amados e perdoados pelo Pai. O Jubileu da Misericórdia é o tempo favorável para tratar das feridas da alma, para não nos cansarmos de ir ao encontro dos que estão à espera de ver e tocar sensivelmente os sinais da proximidade de Deus, para oferecer a todos o caminho do perdão e da reconciliação.

A primeira leitura que ouvimos relata que o profeta Sofonias confortava o povo, exortando-o a retomar a confiança, em meio a um clima de desânimo, no qual o ecletismo religioso tinha tomado conta da vida espiritual. A fidelidade a Deus tinha sido deixada de lado. Muitos prestavam culto aos astros. A superstição, a fraude, a corrupção e a arrogância embalavam o povo nas ilusões humanas, sem ter presente que uma sociedade doente não pode subsistir por muito tempo, pois seu destino é a ruína.

Mas Deus não abandona seu povo, os projetos do Senhor são de encorajamento, de salvação, de vida e de alegria. “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor teu Deus, está no meio de ti,… ele exultará de alegria por ti, movido por amor”… É a profecia que será realizada com a encarnação do Verbo de Deus na pequena virgem de Nazaré. “Alegra-te, filha de Sião…”

A alegria de ter encontrado o Senhor deve estar no coração e na vida do cristão, mesmo diante das tribulações, como nos dá testemunho São Paulo, na carta aos Filipenses, pela segunda leitura desta missa. Ele estava na prisão sofrendo com os irmãos que acolheram o Cristo Jesus na fé. Via que muitos eram perseguidos pelo mesmo motivo, mas não deixavam de elevar sua oração a Deus com alegria. A paz de Deus não é aquela dos homens; é uma serenidade profunda que pode também não coincidir com a percepção da mesma. Na nossa vida, devemos recordar e invocar a força do Senhor também em meio ao sofrimento, sem isso, a aridez espiritual passa a dominar a nossa vida e vamos perdendo a fé.

Na liturgia do tempo do advento, o Evangelho nos trás as figuras de Maria, a serva do Senhor e de João Batista, o precursor. Este, homem de Deus e penitente, batizava com água, mas pedia que as pessoas se convertessem, e preparassem o caminho para a chegada daquele, a quem ele mesmo não se achava digno nem de desamarrar a correia de suas sandálias, conforme o evangelho deste domingo. E anunciava: “Ele vos batizará no Espirito Santo e no fogo”.

No centro da pregação de João Batista, estava a dignidade do ser humano, que é um elemento irrenunciável para todo aquele que quer praticar a justiça de Deus. Quem não crê, ou pensa que se trata de um objetivo que não se pode alcançar, propõe uma visão triste da pessoa humana e da história; e quem propõe uma visão triste do homem e da história, simplesmente não é cristão. A tristeza é um pecado, nos lembra com freqüência o papa Francisco.

Na pregação de João Batista, não vemos muita alegria, mas rigor e temor. Mesmo assim, multidões o procuravam. Ele evangelizava o povo, pregando a penitência e a conversão, como meios de preparar o caminho para vinda do Messias. Sua pregação enchia de esperança o coração do povo, que vivia humilhado por ter perdido a confiança em si mesmo e a esperança nas promessas que Deus tinha feito aos seus antepassados.

Muitas pessoas, após ouvirem a pregação de João Batista, lhe perguntavam: Que devemos fazer? Ele batizava, mas também pedia a conversão das pessoas. Ele não excluía ninguém, nem os publicanos, que eram cobradores de impostos a serviço do domínio estrangeiro, por isso, tidos como inimigos públicos do povo. Nem os soldados, que recebiam ordens e estavam a serviço do poder que oprimia as pessoas. Não pediu a ninguém para mudar de profissão, mas que todos percorressem um caminho de conversão. A todos oferecia a possibilidade de salvação. Acolhia-os para o batismo, lembrando que a justiça de Deus é salvação, e não vem com o juízo para exterminar os homens, mas através do amor, da compaixão e da misericórdia, com a morte de Jesus na cruz para redimir a humanidade.

Irmãos e irmãs, estamos nos preparando para celebrar o Santo Natal e iniciando o Ano Santo da Misericórdia. O que podemos fazer, para que a misericórdia do Pai, entre pela porta do nosso coração, mude a nossa vida e fortaleça a nossa comunhão com o Senhor Jesus, com as pessoas da nossa família, do local de trabalho e da nossa comunidade? Deixemos que o Jubileu do Ano Santo da Misericórdia faça de cada um de nós homens e mulheres novos renascidos pela graça e pela misericórdia do Pai.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

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