O clima quente e úmido, presente na maior parte do país, favorece a proliferação do mosquito aedes aegypti, transmissor do Zika vírus, da dengue e do chikungunya. De acordo com o Ministério da Saúde, em épocas chuvosas, as fêmeas do mosquito encontram mais água parada para fazer a desova, com isso, o número de mosquitos aedes aegypti aumenta e os registros das doenças transmitidas por ele também. O médico, mestre em medicina preventiva e professor da Universidade de Brasília, Pedro Luiz Tauil, afirma que o verão é o período mais adequado para a reprodução do mosquito, já que, nesta época, o calor é intenso, as chuvas são mais frequentes e a umidade do ar fica mais elevada.

“Clima é fundamental, porque o clima é que permite o desenvolvimento do mosquito. Esse mosquito, aedes aegypti, que transmite a doença, ele gosta, ele adora sangue humano, ele gosta de temperaturas elevadas, ele gosta de altas pluviosidades, quer dizer, lugar que chove muito, ele gosta de ficar também dentro de casa ou no pé do domicílio, e ele gosta também de ficar durante o dia. Então são características que fazem com que ele seja um vetor muito efetivo para transmitir essas doenças como chikungunya, dengue e zika vírus.”

Segundo Tauil, o combate ao aedes aegypti deve ser intensificado nos períodos de baixa temperatura e pouca umidade, já que, abaixo de 25 ºC, as larvas do mosquito se desenvolvem mais lentamente e, consequentemente, sua população diminui e o número de casos de doenças também. Tauil explica como o combate ao aedes aegypti deve ser feito.

“Reduzindo a densidade da infestação dos mosquitos por meio da eliminação mecânica de criadores potenciais do mosquito. De que jeito? Por exemplo, eu tenho uma garrafa, eu tenho que virar a garrafa de cabeça para baixo, isso é uma forma de eliminar criadouros. As caixas d’água devem ser encobertas, as calhas dos telhados não podem ser entupidas, precisam se manter desentupidas e mais aquelas coisas como pratos de plantas que acumulam água, isopor, plástico, vidro, enfim, produtos que potencialmente possam acumular água.”

Só neste ano, de janeiro até novembro, de acordo com o Ministério da Saúde, já foram identificados mais de 1,5 milhão de casos de dengue, um aumento de 176% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 555 mil casos. Já o zika vírus, doença que pode causar microcefalia em bebes de mulheres grávidas, já atinge 13 estados. Segundo o Ministério da Saúde, 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika vírus. Outros 665 municípios estão em situação de alerta.

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