O plantio do trigo já chega a 95% da área cultivada no Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural publicado nesta quinta-feira (09) pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, a semana foi marcada pela instabilidade com predomínio de tempo encoberto, temperaturas baixas e chuvas, que em muitos municípios os acumulados superaram a 100 milímetros. Os produtores aguardam a melhoria do tempo para dar continuidade aos plantios e ao monitoramento de pragas, doenças e ervas nas áreas já implantadas.

Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, as lavouras de canola estão predominantemente na fase de desenvolvimento vegetativo (66%) e 29% já estão na fase de floração. O excesso de chuvas e a falta de sol da última semana prejudicou o desenvolvimento da cultura. Grande parte das lavouras já recebeu adubação nitrogenada; nas de semeadura mais tardia, a atividade deverá ser realizada assim que as condições de umidade do solo diminuírem. As geadas da sexta-feira (03) e do sábado (04), que atingiram as lavouras na fase reprodutiva (florescimento e início de enchimento de grãos), poderão ter impacto perceptível na maturação.

Na regional de Ijuí, a cultura da aveia branca está com desenvolvimento satisfatório e encontra-se em final de desenvolvimento vegetativo, evoluindo para o estágio reprodutivo. O tempo úmido favorece o aparecimento de sintomas de manchas foliares nas folhas baixeiras; há necessidade de monitoramento das lavouras e acompanhamento da evolução das doenças. Além disso, o aumento da emergência e desenvolvimento de ervas daninhas requerer que haja controle.

O plantio da cevada foi concluído na região de Erechim. Na regional de Ijuí, a cultura está com bom desenvolvimento vegetativo, boa densidade de plantas e crescimento rápido e vigoroso até o momento. A semeadura programada para a semana não foi realizada, pois as condições de umidade no solo não permitiram. Em geral, as lavouras estão em perfilhamento recebem adubação nitrogenada em cobertura e controle de ervas. A presença de manchas foliares está sendo monitorada, não necessitando controle.

Culturas de verão
A próxima safra de soja está sendo planejada pelos produtores que já encaminham amostragem de solo para análise laboratorial, aplicação de calcário quando necessário, controle de invasoras e aquisição de insumos, com o assessoramento técnico dos escritórios da Emater/RS-Ascar. As áreas de milho em período de entressafra recebem os manejos conforme as necessidades de melhorias para a próxima safra. Na regional de Pelotas, produtores de arroz estão satisfeitos com os rendimentos obtidos e também com os preços de comercialização, que têm se mantido com pouca variação.

Olerícolas
Em geral, a semana foi desfavorável aos fatores de produção e qualidade das hortaliças em praticamente todas as regiões do Estado. As fortes chuvas, baixas temperaturas, ventos fortes e baixa incidência de radiação solar prejudicam o crescimento e desenvolvimento das olerícolas. A condição de tempo úmido e chuvoso também favorece o surgimento de doenças fúngicas e bacterioses. As intensas chuvas também provocaram erosão/perda de nutrientes de áreas preparadas para plantio no modo convencional.

Frutícolas
Na regional de Porto Alegre, a passagem de um ciclone atingiu com forte intensidade os bananais no Litoral Norte gaúcho. Estão sendo levantadas as perdas na cultura, que devem ficar acima dos 40% da produção potencial da região. Considerando que outras regiões produtivas de Santa Catarina também foram atingidas, pode se projetar redução de oferta.

Na regional de Ijuí, segue o plantio de frutíferas para recomposição de pomares e formação de pomar doméstico. Baixa procura por frutíferas para formação de novos pomares em grande escala. Na regional de Santa Rosa, frutíferas de clima temperado, de modo especial videiras e pessegueiros, estão sendo favorecidas com as baixas temperaturas no período de dormência, acumulando horas de frio para propiciar rebrote homogêneo e uma boa produtividade. A colheita da nogueira pecã chega ao final, com frutos de boa qualidade, mas com baixa produtividade. Inicia o tratamento de inverno das videiras com controle de cochonilhas e doenças foliares.

Pastagens
Na primeira metade da semana, as condições climáticas foram bastante adversas, em função do predomínio de chuvas, baixas temperaturas e reduzida insolação, o que prejudicou o desenvolvimento das pastagens, de um modo geral. Em função do excesso de umidade no solo, os produtores utilizaram as pastagens cultivadas por um período menor de tempo, para evitar danos excessivos pelo pisoteio dos animais e aumentaram a suplementação com silagem, principalmente nos estabelecimentos voltados à produção leiteira. Essa situação foi de menor expressão nas áreas de semeadura direta de pastagens anuais de inverno sobre as perenes de verão, como o tifton. Na segunda metade da semana, mesmo com a formação de geadas, os dias ensolarados e mais secos proporcionaram melhores condições para o desenvolvimento e uso das forrageiras anuais de inverno. Apesar da instabilidade climática da última semana, de um modo geral, as pastagens anuais de inverno apresentam bom desenvolvimento em todo o Estado.

Bovinocultura de corte
As condições climáticas da última semana foram desfavoráveis para a atividade, provocando redução na oferta e na qualidade forrageira disponibilizada aos animais a partir dos campos nativos, recurso forrageiro que ainda é a base para a atividade no Estado. As baixas temperaturas associadas às chuvas e ventos intensos, prejudicaram também a manutenção do conforto térmico pelos animais, principalmente nas áreas de campo mais planas e desprovidas de mato.

Em função dessa situação, os animais mantidos em campo nativo experimentam um agravamento no déficit nutricional que se refletiu diretamente em perda de estado corporal, em todas as categorias de animais do rebanho. Nesse sentido, as vacas de cria, que nessa época do ano se encontram recém paridas ou no final da gestação, são as mais prejudicadas, pois possuem um maior requerimento nutricional nessas fases.

Bovinocultura de leite
Apesar das dificuldades climáticas que prejudicaram o desenvolvimento e a utilização das pastagens anuais de inverno em alguns dias da semana, o aumento na oferta de forragem nas propriedades, principalmente de aveia, tem resultado num aumento sustentado da produção de leite no Estado. Superado o período de entressafra, caracterizado pelo vazio forrageiro entre as pastagens de verão e as de inverno, que nesse ano se estendeu um pouco mais do que o normal, em função da estiagem prolongada, a produção avança em direção ao pico de produção no final de inverno/início de primavera. De um modo geral, a produção de leite no Estado vem crescendo a uma taxa entre 7,5% e 10%, em relação ao mesmo período do mês passado.

A maior oferta de pastagens aumenta a produção e a produtividade dos rebanhos e contribui para uma redução no custo de produção pelo menor uso de silagem e concentrados, o que amplia os ganhos financeiros dos produtores. Além disso, ao reduzir a necessidade de suplementação dos animais com silagem, as pastagens contribuem para economizar o volumoso conservado que neste ano está estocado em menor quantidade nas propriedades em função da estiagem.

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