Com 44% das lavouras em floração, a canola se desenvolve com boa sanidade nas principais regiões produtoras no Rio Grande do Sul. Mesmo com as condições climáticas desfavoráveis, como baixa insolação, a região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa registra 51% das lavouras na fase de desenvolvimento vegetativo, 44% em plena floração e 5% em enchimento de grãos. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (16) pela Emater/RS-Ascar, em convênio com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Sepdr), com os preços acompanhando a evolução da soja, os produtores esperam boa rentabilidade das lavouras de canola implantadas, que evidenciam um sistema de cultivo alternativo ao binômio soja-trigo, característico na região. O preço de comercialização está em R$ 102,40/sc. de 60 quilos.

No trigo, a semeadura atingiu 97% da área prevista nesta safra no RS, que é de 915,7 mil hectares. A semana com predomínio de tempo encoberto e volumes acumulados de chuvas expressivos não permitiu a conclusão do plantio e trouxe dificuldades à realização de tratos culturais nas lavouras implantadas. A semeadura do trigo foi concluída nas regionais da Emater/RS-Ascar de Pelotas, Frederico Westphalen, Passo Fundo, Erechim e Santa Rosa. Em geral, as lavouras estão com bom estande de plantas e bom desenvolvimento vegetativo. Nas lavouras já estabelecidas, o excesso de chuvas, as baixas temperaturas e dias com pouca luminosidade atrasaram o desenvolvimento da cultura e dificultaram as operações mecânicas de controle de invasoras e doenças.

A aveia branca na regional de Ijuí está com estádio de desenvolvimento mais avançado que o trigo. Apesar disso, as lavouras continuam com bom desenvolvimento, coloração um pouco mais amarelada que o normal, reflexo da sequência de dias com baixa luminosidade. Em geral, há perspectivas de bom potencial produtivo, visto que as plantas estão vigorosas, apresentam folha bandeira bem desenvolvida, há bom número de perfilhos e inicia a emissão da panícula com bom número de espiguetas. Os produtores seguem, dentro das possibilidades de tempo favorável, realizando o controle de ervas e aplicação de adubação nitrogenada em cobertura, sem necessidade de controle de doenças e pragas.

Cevada – Na regional de Erechim, as lavouras estão em germinação e desenvolvimento vegetativo. O preço médio do produto está em R$ 60,00/sc. de 60 quilos. Na de Ijuí, a semeadura foi interrompida diante das volumosas precipitações. Com a umidade elevada, constatou-se aumento de manchas foliares. Os produtores iniciaram as aplicações de fungicidas e são realizadas as adubações nitrogenadas em cobertura.

Culturas de verão
Soja – Os produtores seguem planejando as atividades da próxima safra. No momento, segue realização de análises dos solos, cultivos de adubação verde, correções com calcário, aquisição de insumos, controles de plantas invasoras e elaboração de projetos de crédito com o assessoramento dos escritórios da Emater/RS-Ascar. Na região administrativa de Erechim, cerca de 30% da soja a ser plantada já está comercializada no mercado futuro. Os produtores demonstram confiança no resultado econômico da cultura na próxima safra, especialmente devido às cotações atuais do grão estar acima de R$ 100,00/sc. e à taxa de câmbio favorável.

Milho – A entressafra é o momento de preparo para ação da safra seguinte em termos de planejamento das áreas de plantio e seu financiamento. Já há procura de produtores para elaboração dos planos de crédito rural. Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, há encaminhamento de projetos de custeio das lavouras aos agentes financeiros, que liberam recursos para compra de insumos, de acordo com o VBC definido para a região: valor de R$ 3.200,00 por hectare para cultivo normal e de R$ 4 mil por hectare para as lavouras de milho de alta tecnologia. Nos municípios costeiros ao Rio Uruguai, as atividades de preparo do solo e dessecação já iniciaram, com previsão de plantio a partir de 25 de julho; porém a maioria dos municípios deverá iniciar o plantio no começo de agosto.

Arroz – Nas regionais de Pelotas e Bagé, as áreas com condições de drenagem estão sendo preparadas antecipadamente para a próxima safra. Os produtores têm aproveitado as restevas para forrageamento dos animais bovinos de corte.

Bovinocultura de corte
O excesso de umidade prejudicou o desenvolvimento e manejo de pastagens anuais. Na regional de Bagé, alguns criadores que já fazem uso de pastagens cultivadas de aveia e azevém, com bom ganho de peso nos animais; outros, em que a criação é dependente de campo nativo, apresenta limitações na oferta de forragens, o que faz com que criadores suplementem silagem, ração e fenos para evitar o agravamento no estado corporal dos animais. Em Lavras do Sul, produtores em sistema de campo nativo, além da falta de oferta de forragem, ainda enfrentam infestação de carrapatos, que está debilitando bastante os animais.

Em várias propriedades da regional de Santa Maria foi observada uma redução da taxa de prenhez das matrizes em torno de 10% em relação ao ano anterior, o que pode estar associado as altas temperaturas no período de entoure e inseminação e também a escassez de pasto devido à seca. No momento, criadores estão fazendo seleção de matrizes e descarte das fêmeas falhadas.

É época de intensificar o suplemento com sal mineral, pois aumenta o consumo deste por parte dos animais, principalmente aqueles que estão em campo natural. Devido à estiagem nos primeiros cinco meses do ano, houve um atraso no plantio das pastagens de inverno, bem como prejudicou muito o campo nativo, que entrou o inverno com pouca forragem disponível, o que aliado às frequentes chuvas e baixas temperaturas, provocam queda de peso e até perda de animais por fraqueza.

Com o aumento na procura, segue a elevação nos preços do gado gordo. Aumento da procura por terneiros devido à reduzida oferta. As feiras seguem paradas em virtude da Pandemia. Em Rio Grande não houve carregamento de animais para exportação nesta semana e o Remate presencial ocorrido dia 04 de julho no Sindicato Rural, obteve sucesso com vendas acima do esperado.

Pesca artesanal
Na região de Pelotas, na Lagoa do Peixe, a safra de camarão foi estendida até 30/07 (normalmente vai até 30/06). Os pescadores relatam dificuldade de comercialização da produção, apesar do alongamento da safra, pois o destino final dos pescados são os restaurantes do litoral, que devido à pandemia estão com pouco movimento ou fechados. Os níveis da Lagoa Mirim e do rio Jaguarão melhoraram, o que permitiu melhora na captura do pescado. A comercialização está com dificuldade em virtude de os compradores das peixarias não estarem adquirindo o pescado.

Na regional de Porto Alegre, a semana não apresentou condições favoráveis para pesca em toda a costa do Rio Grande do Sul. Fato positivo das chuvas foi a cheia das lagoas, que promete beneficiar a pesca, e a criação de um ambiente favorável à reprodução das espécies nos berçários aquáticos. Em geral, a produção da pesca vem sofrendo uma baixa produtividade no período, devido aos constantes ciclones extratropicais que têm atingido o Litoral do RS. A comercialização, que vinha apresentando sensível melhora com a oferta diversificada de peixes, com a presença das adversidades do tempo fez diminuir a circulação de compradores.

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