Professores apoiaram a decisão do governador Eduardo Leite, divulgada nesta terça-feira (25), de adiar a volta das aulas presenciais no Rio Grande do Sul de 31 de agosto para a primeira metade de setembro. Por outro lado, associações que representam escolas privadas receberam o anúncio com desmotivação.

O retorno da educação nas escolas é defendido pelo governo do Estado nas últimas semanas, apesar da contrariedade de 94,6% dos prefeitos de municípios gaúchos e de entidades que representam professores das escolas públicas e privadas. A favor da retomada estão associações de escolas particulares.

O cronograma do governo defende retomada gradual, a começar pela Educação Infantil. Depois, seriam Ensino Superior, Ensino Médio e Técnico e, por último, Ensino Fundamental.

O adiamento é positivo, mas voltar em setembro ainda é cedo, na visão do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro). A entidade entende que o ensino deve voltar presencialmente não em uma data específica, mas quando o número de casos e de mortes por coronavírus estiver baixo.

— Recebemos essa notícia do adiamento do retorno às aulas com esperança de que esse assunto seja analisado em toda sua complexidade. Os professores querem voltar, estão extremamente estressados com as aulas a distância. Não é questão de esperar uma vacina, mas de ter nível de contágio baixo, hospitais com capacidade para receber pessoas doentes e maior testagem — afirma Cecília Farias, diretora do Sinpro.

O Sindicato do Ensino Privado (Sinepe), que representa as escolas particulares, lamenta o adiamento e destaca que há, desde junho, regras para a volta às aulas, incluindo a definição de que professores com comorbidades seguirão em casa.

— Estamos em um platô no nosso Estado, então já é a hora de as instituições que desejem receber alunos possam fazê-lo. Se a rede pública entender que não tem condições de voltar no momento, que se libere a retomada da rede privada antes. Em países como Holanda e Portugal, os primeiros serviços a voltarem foram as escolas. No Brasil, a maioria dos serviços já voltou enquanto discutimos se volta a educação. Isso mostra a preocupação do brasileiro com a educação. Infelizmente, não é nossa prioridade — diz Bruno Eizerik, presidente do Sinepe.

A entidade defende a volta das escolinhas sob o argumento de que as infecções em crianças são raras e de que as instituições não têm finanças para além de setembro, o que pode causar uma falência em massa de escolinhas e jogar pais para instituições públicas, onde faltam vagas.

As aulas devem voltar apenas após a consistente queda de casos e de mortes de covid-19 no Rio Grande do Sul, defende o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Maneco Hassen, que também é prefeito de Taquari.

— Para nós, mais importante do que a data é termos condição de segurança. Na nossa opinião, isso só vai se dar quando a gente tiver uma curva descendente dos casos. Queremos queda significativa e consistente (da curva). O nosso problema não é de data, é de segurança — avalia o presidente da Famurs.

O Cpers-Sindicato, que representa professores da rede pública, não pôde falar com GaúchaZH até a publicação desta reportagem. Em outras oportunidades, defendeu que a retomada ocorra somente após uma vacina

Na manhã desta quarta-feira (26), o tema da retomada será discutido em uma audiência entre sindicato dos professores privados, Ministério Público, sindicato das escolas particulares e as secretarias de Educação e de Saúde do Rio Grande do Sul.

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