A Emater de Aratiba, considerando o déficit hídrico que assola o
município, realizou levantamento de perdas decorrentes da estiagem buscando
qualificar e quantificar os danos econômicos, sociais e ambientais causados pelo
evento climático e orientar os agricultores e instituições sobre medidas que visam
mitigar o impacto da falta de chuva. O evento, que ocorre a partir de 08 de
setembro de 2020 e perdura até o dia de hoje, atingiu o território rural do
município causando severos danos as produções agropecuárias. O
levantamento de perdas foi apresentado ao Comitê Municipal de Defesa Civil,
que irá deliberar sobre a possível decretação da situação de emergência.
Conforme dados locais, no mês de setembro choveu 60 mm, sendo a
média histórica de 174 mm. Já no mês de outubro a escassez foi ainda maior,
com chuvas totalizando 21 mm, frente a uma média histórica de 225 mm.
O exaurimento hídrico atinge 100 % do município. Os leitos dos rios,
mananciais e a água subterrânea possuem seu fluxo reduzido e provavelmente
não suportarão se a estiagem persistir. Atualmente a prefeitura está
transportando aproximadamente 120 mil litros de agua par consumo animal,
destinado a empreendimentos de bovinocultura de leite e corte e suinocultura, e
60 mil litros de água potável para consumo humano. Destacamos ainda que o
potencial de danos futuros é extremamente elevado e a rede de distribuição
pública não comportará o abastecimento do rebanho e consumo humano se a
chuva não voltar.
A falta de agua para uso básico, como consumo e saneamento, é o
principal problema enfrentado pela população. Além disso, a produção para o
autoconsumo, como hortas domésticas e animais para abate (aves, suínos,
bovinos, etc), são totalmente dependentes do abastecimento hídrico para
garantia a segurança e soberania alimentar das famílias rurais, especialmente
aquelas em vulnerabilidade social. Outro fator é a preocupação das famílias
rurais com falta de renda que a estiagem provocará. Devido as características
fundiárias de pequenas unidades de produção, os agricultores terão dificuldade
de arcar com os compromissos bancários e sustentar suas famílias até o próximo
ano safra.

Aspectos Econômicos das principais Culturas e Criações

-BOVINOS DE LEITE: Redução de 30 % na produção, devido a redução
da oferta e da qualidade das pastagens perenes. As pastagens anuais não foram
semeadas, em função da falta de umidade no solo.
-BOVINOS DE CORTE: Redução de 60 % no ganho de peso, devido a
redução da oferta e qualidade das pastagens. O potencial de prejuízo futuro é
elevado em função do início do ciclo reprodutivo, com diminuição da taxa de
prenhes e consequente o número de animais nascidos no próximo ano.
-MILHO GRÃO E SILAGEM: perdas estimadas de 50%, em média. É uma
das culturas mais afetada pela estiagem. Diversas lavouras estão na fase de
floração e polinização, a mais crítica para a cultura. A redução de produtividade
é enorme e irreversível, com perda total em algumas áreas. O milho destinado a
silagem possui desenvolvimento reduzido e dificuldade no espigamento, o que
acarretará na falta de alimento aos animais, se a situação persistir. A semeadura
está atrasada pela falta de umidade no solo.
-SOJA: As poucas lavouras que foram implantadas estão com falhas na
germinação e desenvolvimento vegetativo. Ocorre o atraso da semeadura
devido à falta de umidade no solo.
-CITRICULTURA: As perdas até o momento são de 10 %. Existe o
potencial de redução de produtividade em função da queda de frutos que é
observada nos pomares. Se a estiagem persistir, os frutos que não caírem terão
tamanho e peso reduzido. Ocorre morte de plantas jovens (de 1 e 2 anos),
principalmente em solos pedregosos e rasos.
-FEIJÃO: As perdas de produtividade do feijão são elevadas e
irreversíveis, chegando a 60 %. A cultura possui ciclo curto e a estiagem atingiu
os estádios críticos para os componentes de produção, que é a floração e
enchimento de grãos.
-OLERICULTURA: a produção de olerícolas foi severamente afetada pela
estiagem e pela falta de agua para irrigação das áreas de cultivo, como a
melancia, a moranga, as folhosas e os tubérculos. A cebola e o alho estão com
maturação forçada e terão sua produtividade reduzida. As áreas de batata doce,
estão como o plantio atrasado, m função da falta de umidade no solo. As perdas
chegam a 60 %.

PROAGRO: A orientação da Emater é para que os agricultores aguardem
a concretização do espigamento do milho para acionar o seguro. Desta forma
será possível quantificar as perdas e, se for a necessidade do produtor, liberar a
lavoura para silagem, desde de que as perdas sejam superiores a 60 %. Para as
demais culturas recomendamos que procure o nosso escritório municipal para
dirimir as dúvidas e analisar caso a caso.

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