O Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da AMAU tem verificado, pelos indicadores da Plataforma Regional de Monitoramento (PRM), que o cenário regional mudou significativamente, o que coloca a R16 em alerta.
“A luz vermelha se acendeu”, coloca Arpini.
Casos ativos e taxa de recuperação
O número de casos ativos ultrapassou o quantitativo de 543 casos, o ápice de casos desde o início da epidemia a nível de região, que foi observado em meados de julho. Segundo o último boletim (18/11) chegamos ao indicador de 763 casos ativos e verificamos, pelo cenário, que esses números devem continuar aumentando. “Visivelmente nossa curva ganhou outro contorno, acentuado e agudo, porque saímos de 48 casos (14/10) para 763 em apenas, 36 dias.
Em virtude do aparecimento de novos casos e considerando que o período de incubação é de 14 dias, a taxa de recuperação vem decrescendo. “Atingimos o patamar superior a 97% e estamos, atualmente, com 87,31%.
Também estamos verificando um aumento expressivo de pessoas que estão buscando os serviços de saúde para testagem. Segundo relatos das entidades que tem assento no comitê essa demanda triplicou, levando muitas vezes a uma sobrecarga do serviço. “Trabalhamos com a hipótese que parte das pessoas que estão realizando os testes contraíram o vírus, o que levará, inevitavelmente, a números mais altos de casos ativos” afirma Arpini.
Leitos de UTI e clínicos
Nesse novo cenário verificamos uma elevação considerada nas taxas de ocupação dos leitos de UTI e leitos clínicos, que em pouco tempo ultrapassaram o percentual de 50%. Esse dado talvez seja o mais preocupante, porque trabalhamos com estruturas físicas e de recursos humanos finitas, tendo na R16 tem 23 leitos de UTI e, no momento, 12 estão ocupados (52,17%).
Seguindo com a avaliação expressamos que trabalhamos com o cenário que o aumento dos casos ativos trará reflexos nas taxas de ocupação dos hospitais e poderá levar, também, a um aumento na taxa de letalidade.
“As taxas de ocupação já são um reflexo do aumento do número de casos ativos”, coloca o membro do comitê. O gráfico aponta uma evolução considerável, tendo em vista que em 21/10 a taxa era de 8,69%, o que corresponde a dois pacientes internados. Atualmente a taxa está em 52,17%, referente a 12 internações em UTI. Essa elevação de 02 para 12, corresponde a um aumento de 43,48%.
Sobrecarga dos serviços de saúde
“Estamos preocupados com a possibilidade de sobrecarga do sistema, com o afastamento de alguns profissionais de saúde que contraíram a Covid, com o aumento expressivo da demanda e com a possibilidade de desabastecimento de insumos necessários para testagem e assistência, caso persista essa situação, que se alastra em alta velocidade pelo mundo, país, estado, macrorregião e região”, argumenta Arpini.
Os indicadores sinalizam uma velocidade de disseminação, alteração da evolução da epidemia no âmbito regional e comprometimento de parte da estrutura hospitalar.
Faixa etária
Os dados apontam que a contaminação está ocorrendo em número mais expressivos na faixa etária de 20 a 39 anos, portanto numa população mais jovem, quando comparado a levantamento anteriores.
Para Arpini as pessoas mais jovens convivem, na sua residência ou local de trabalho, com pessoas de maior idade, algumas portadoras de comorbidades, que poderão contrair o vírus contribuindo para agravar a situação.
Bandeira e cogestão
Caso haja sinalização de bandeira vermelha para a nossa região, hipótese que deve ser avaliada e está em pauta, não teremos condições técnicas e epidemiológicas para acionar a cogestão, face aos indicadores atuais, já relatados acima.
“A cogestão está condicionada a válvulas de segurança, que no momento estão comprometidas”, coloca Arpini.
Estratégias e ações
Tendo em vista o cenário crítico, que coloca a R16 em alerta, haverá uma reunião extraordinária do colegiado da AMAU, nessa quinta-feira, 19, com a presença dos prefeitos e secretários de saúde da reunião, para apresentação do novo cenário e para traçar ações prioritárias e imediatas para o momento atual.
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