Entidades representativas da agricultura familiar seguem mobilizadas na busca por ações que possam minimizar os problemas que vêm sendo enfrentados devido à estiagem que, mais uma vez, assola o Rio Grande do Sul, causando diversos prejuízos e impactando diretamente a vida dos agricultores e agricultoras.

Nesse sentido, na última segunda-feira (23), foi entregue à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, as demandas da agricultura familiar, em encontro virtual do qual participaram o coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do RS (FETRAF-RS), Rui Valença, e a secretária geral da CUT-RS, Cleonice Back. A pauta de reivindicações se embasa no fato de que a falta de chuvas está afetando as lavouras de grãos, a produção de leite e produção animal, bem como os hortigranjeiros. Até o momento, no Rio Grande do Sul, mais de 60 municípios já decretaram situação de emergência devido à seca.

Diante desse contexto, entre as demandas apresentadas à ministra da agricultura estão a disponibilidade de 100 mil toneladas de milho na modalidade balcão da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) com preços subsidiados; a liberação imediata do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (PROAGRO) às lavouras de milho, para que seja feita novo plantio nestas área; a criação de um programa de irrigação para agricultura familiar; além da construção de açudes e cisternas, perfuração de poços artesianos e recuperação e preservação de nascentes e fontes.

Na reunião também foi solicitado crédito de emergência para os agricultores mais atingidos no valor de um salário-mínimo por família pelo período de seis meses. Entre os encaminhamentos do encontro, a ministra se comprometeu a fazer uma nova reunião na próxima semana para dar retorno sobre as questões. No entanto, já foi adiantado pela equipe técnica do Ministério da Agricultura que os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) para custear o replantio acabaram. Sendo assim, a sugestão é de que estes valores sejam negociados com recursos dos próprios bancos.

Os problemas relacionados à estiagem também devem ser discutidos em audiência pública marcada para esta quinta-feira (26) na comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do RS. Além disso, as organizações da Agricultura Familiar e Camponesa dos três Estados do Sul do Brasil também estão se articulando no sentido de elaborar uma pauta de reivindicações que atenda às demandas da categoria.

O coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (SUTRAF-AU), Douglas Cenci, reforça que a situação da estiagem é preocupante, e se agrava ainda mais tendo em vista que o Estado já vivenciou uma seca no ano passado, que se estendeu até este ano, não tendo sido apresentadas medidas de suporte por parte do governo estadual. Nesse sentido, a expectativa, dessa vez, é que o poder público compreenda a importância de efetivar essas medidas visando minimizar os fortes impactos econômicos e sociais causados por mais essa estiagem.

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