O Papa Francisco apareceu em público neste domingo pela primeira vez desde que foi submetido a uma cirurgia intestinal há sete dias. Ele saiu em uma varanda da Policlínica Gemelli, em Roma, no qual está internado, para conduzir sua oração semanal diante de centenas de pessoas.

“Estou feliz por poder manter o encontro dominical do Angelus, também aqui da Policlínica Gemelli. Agradeço a todos: senti sua proximidade e o apoio de suas orações. Obrigado de todo o coração”, disse Francisco aos fiéis.

O Papa de 84 anos ficou na varanda de sua suíte no 10º andar do hospital por cerca de 10 minutos, parecendo em boas condições gerais. Ele leu um texto preparado, mas também fez muitos comentários improvisados.

Francisco parecia estar um pouco sem fôlego às vezes. Ele teve parte de um de seus pulmões removido quando era jovem, na Argentina. Centenas de pessoas reunidas no espaço aberto em frente ao hospital gritaram Viva o Papa!. Médicos e pacientes ficaram em outras varandas para assistir. Três pacientes crianças se juntaram ao Pontífice na varanda.

O Pontífice afirmou que, no período hospitalizado, foi possível perceber a importância dos sistemas públicos de saúde, “como o que existe na Itália e em outros países”.

“Um serviço de saúde que seja gratuito e garanta um bom atendimento acessível a todos… este bem precioso não deve se perder, deve ser mantido e todos devem se comprometer com ele. Porque todos precisam.”

Ele também fez um agradecimento aos profissionais de saúde:

“Quero expressar meu apreço e meu encorajamento aos médicos e a todos os profissionais de saúde e funcionários deste hospital e de outros hospitais. Eles trabalham tanto!”, continuou Francisco, cumprimentando também três crianças doentes.

Ele pediu que os fiéis rezassem por todos os enfermos. Em sua conta oficial no Twitter, Francisco reforçou: “Rezemos por todos os doentes para que ninguém fique só. Cada um possa receber a unção da escuta, da proximidade e do cuidado. Todos podemos oferecê-la com uma visita, um telefonema, uma mão estendida”.

O Papa está se recuperando após uma cirurgia no intestino grosso, realizada no último domingo (4). Um boletim divulgado na sexta-feira (9) pelo Vaticano indicou que a alta de Francisco poderia não ocorrer dentro do prazo de uma semana inicialmente previsto, ao informar que ele não estava bem o suficiente para voltar para a Cidade do Vaticano a tempo da tradicional bênção de domingo ao meio-dia.

A data da alta ainda não foi anunciada pelo Vaticano, que não divulgou um boletim médico neste domingo, como vinha fazendo todos os dias. É a primeira vez desde que assumiu o posto, em 2013, que Francisco não esteve na ocasião na Cidade do Vaticano, exceto quando estava viajando.

A operação à qual o Papa foi submetido sofreu uma drástica mudança no centro cirúrgico, durante sua realização. Os médicos haviam programado uma cirurgia robótica, técnica sofisticada e pouco invasiva. Poucos minutos depois do início, no entanto, a equipe identificou que o problema — um estreitamento no intestino provocado por diverticulite — era mais grave do que o previsto e tiveram de optar na hora pela operação chamada “a céu aberto”, quando a barriga é cortada.

A diverticulite que levou o Papa a passar pela cirurgia é uma inflamação na parede do intestino grosso que causa espessamento do órgão, que fica mais estreito — o que é chamado de estenose, em linguagem médica. É um problema comum em idosos e que provoca dores ao evacuar. O problema é corrigido com a remoção da parte afetada e a junção das pontas do intestino que ficaram soltas. O Papa teve metade do cólon removido no procedimento, que foi anunciado no próprio domingo passado e, segundo o Vaticano, já estava agendado com antecedência.

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