Após subir acima da inflação em 2019, gasolina começa ano com estabilidade e bem abaixo do pico histórico

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Greve de caminhoneiros provoca fila para abastecimento de combustível em posto de gasolina no Rio de Janeiro.

Após ter fechado 2019 com um aumento de 6,2%, acima da inflação, o preço médio do litro da gasolina comum no Rio Grande do Sul ficou estável na primeira semana de 2020. Manteve-se em R$ 4,76, que está 19 centavos abaixo do pico histórico aqui no Estado. O valor mais alto foi encontrado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em outubro de 2018, quando atingiu R$ 4,95.

Fator observado pela Petrobras para definir valores nas refinarias, o preço do petróleo teve aumentos nos últimos dias provocados pela tensão no Oriente Médio. Apesar de também já vir de uma trajetória de alta motivada pela expectativa de aceleração da economia mundial, ainda não chegou perto do patamar do segundo semestre de 2018, quando o barril atingiu US$ 80. Agora, está em torno de US$ 65.

Químico industrial e especialista no setor, Marcelo Gauto afirma que não há, neste momento, necessidade de a Petrobras elevar preços. Mas ele pondera que fatores internacionais podem provocar uma disparada no petróleo, o que pressionaria a estatal.

— O Irã está sob embargo, não está produzindo todo o petróleo que pode. O fechamento do estreito de Ormuz é uma possibilidade, o que levaria o preço do petróleo para próximo dos US$ 100 ou mais a depender de quanto tempo ficaria fechado. Ou ainda algum ataque às instalações de petróleo de aliados norte-americanos, como o Iraque, por exemplo — exemplifica ele.

Além disso, o preço da gasolina nas refinarias brasileiras segue 4% acima da média internacional, segundo o economista João Fernandes, da gestora de fundos Quantitas.

— Se a Petrobras viesse a optar por uma mudança hoje, a probabilidade maior seria de uma queda e não de uma alta. Nas bombas, devemos ter uma estabilidade após a alta de dezembro — analisa ele.

Em resposta às especulações sobre o impacto da alta do petróleo nos combustíveis, a Petrobras divulgou na noite da última sexta-feira (3) um comunicado sinalizando que não haverá reajustes imediatos. Na nota enviada ao mercado, afirma que seguirá acompanhando a situação e que decidirá “oportunamente” sobre preços. A empresa ressaltou ainda que, “de acordo com suas práticas de precificação vigentes”, não há periodicidade pré-definida para reajustes dos valores dos combustíveis nas refinarias.