Autores pedem ‘retratação’ de estudo sobre cloroquina publicado na ‘The Lancet’ e pesquisa é ‘despublicada’

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A revista científica “The Lancet” publicou, nesta quinta-feira (4), uma nota de retratação dos autores do estudo com cloroquina e hidroxicloroquina para Covid-19 publicado por ela própria no dia 22 de maio. Os cientistas afirmaram não poder mais garantir a veracidade dos dados usados para fundamentar a pesquisa, que havia constatado risco no uso das substâncias contra o novo coronavírus.

A pesquisa, que analisou dados médicos de 96 mil pessoas, motivou a OMS a suspender os testes com hidroxicloroquina nos ensaios clínicos Solidariedade, iniciativa internacional coordenada pela organização. Na quarta (3), depois da publicação de uma “manifestação de preocupação” sobre o estudo pela ”The Lancet”, a entidade decidiu retomar os testes com a substância.

A retratação do estudo é o passo seguinte à manifestação de preocupação, que faz com que ele não possa ser citado, no futuro, em outras pesquisas científicas.

Base de dados

Os autores do estudo não fizeram ensaios clínicos: eles analisaram os dados da base da empresa “Surgisphere”, coletados de 671 hospitais em 6 continentes, e concluíram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não tinham benefícios no tratamento da Covid-19. Além disso, também constataram que as substâncias traziam, supostamente, maior risco de arritmia cardíaca aos pacientes.

Ambos os medicamentos são usados para tratar alguns tipos de malária e de doenças autoimunes, como o lúpus.

Brasil

Depois da decisão da OMS de suspender o uso da hidroxicloroquina em ensaios internacionais de Covid-19, o Ministério da Saúde brasileiro manteve a recomendação dela e da cloroquina para a doença.

Ao comunicar a decisão, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que o estudo não tinha uma metodologia “aceitável para servir de referência”.

“O estudo [da Lancet] não é um ensaio clínico, é apenas um banco de dados coletado de vários países. Não entra em um estudo metodologicamente aceitável para servir de referência para outros países, muito menos para o Brasil”, declarou Pinheiro.