Cai 20% número de pacientes com coronavírus em tratamento no RS

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Em seis dias, o número de pacientes com diagnóstico de covid-19 que se encontram em tratamento diminuiu 20,6% no Rio Grande do Sul.

O universo de pessoas com o vírus ativo no organismo caiu de 1.784, na segunda-feira da semana passada (11) — quando foi registrada a quantidade mais alta até então — para 1.417 no domingo (17), conforme informações oficiais da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Manter esse indicador sob controle é importante porque evita sobrecarga na rede de atendimento e pode sinalizar menos mortes nas semanas seguintes.

O contingente de pacientes em tratamento corresponde ao total de contaminações já registradas menos as pessoas que já se curaram e os mortos. Como o registro diário de óbitos é bem inferior ao de curas, não é a letalidade que explica a melhora nesse indicador.

O epidemiologista e consultor do Hospital de Clínicas Jair Ferreira afirma que a quantidade de doentes em tratamento, em tese, tende a cair em razão de combinação positiva: uma média de pessoas curadas superior à de novos infectados. As estatísticas disponíveis até o meio-dia desta segunda-feira (18) sustentam essa hipótese: desde o dia 11 de maio até domingo (17), o Estado contabilizou 318 novas infecções contra 717 pacientes recuperados. Houve ainda 37 mortes no período.

Como resultado, a página montada pelo Piratini para monitorar a pandemia indicava um percentual de 59,3% de recuperados em comparação a 36,8% ativos e 3,9% de óbitos.

A SES informou, via assessoria de comunicação, que não se manifestaria sobre esse assunto no momento por “ainda estar interpretando os dados” das últimas semanas. Ferreira avalia que esse é um indicador importante por duas razões principais: a quantidade de casos ativos representa em grande parte a fração de pessoas com o vírus que desenvolveram sintomas severos a ponto de buscar atendimento e fazer o exame. Assim, é o grupo de pessoas que pode vir a sobrecarregar a rede hospitalar.

Além disso, é um sinalizador de como pode se comportar a curva de óbitos nas semanas seguintes.

— Se temos 1.417 pessoas ativas e uma letalidade da doença em cerca de 3,9% no Rio Grande do Sul, isso significa que podemos estimar algo como cerca de 55 mortes ao longo de umas duas semanas. Não é um número tão alto em comparação com outros lugares — analisa o especialista.

O recuo na soma de pacientes em tratamento também poderia ser fruto de alguma subnotificação recente, mas não há informações sobre isso até o momento. Na sexta-feira passada, a SES incluiu 496 casos antigos no sistema informatizado de monitoramento que ainda não haviam sido contabilizados por falhas no processo de notificação feito pelos municípios. Apesar disso, a tendência da última semana se manteve a mesma.

Ainda assim, o professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e gerente de Risco do Clínicas Ricardo Kuchenbecker faz a ressalva de que os dados sempre podem apresentar alguma diferença em relação ao cenário real.

— O processo de notificação tem várias etapas e pode haver variações diárias. Por isso, é sempre mais seguro olhar para as semanas epidemiológicas (quando são publicados dados mais consolidados) — opina o especialista.