Celular X coordenação motora

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Ele nos acompanha a todo lugar, o dia todo. É cada vez mais difícil ficar longe do aparelho celular, e há quem se sinta estranho quando isso acontece. Com essa presença tão marcante na nossa vida, não é de causar espanto que nossos filhos também convivam com o celular desde cedo, e muitas vezes saibam mexer mais e melhor no aparelho do que os próprios pais! A princípio pode parecer engraçadinho, mas esse contato tão precoce e frequente com a tecnologia tem afastado as crianças de outras atividades, comuns na nossa infância. A infinidade de aplicativos na palma da mão torna-se muito mais atraente do que um jogo de tabuleiro, bolinha de gude ou pega-pega…

Limites são saudáveis
O uso excessivo de celulares pelas crianças causa prejuízos à coordenação motora e ao desenvolvimento cognitivo delas, além de problemas de relacionamento social. “Há um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor por falta de estímulo. Todos os estímulos são muito importantes para o adequado desenvolvimento global, e se a criança passa muito tempo com celular, tablet ou computador, pode haver um grande prejuízo da motricidade. O correto é determinar tempo para cada atividade”, avalia o Dr. Roberto Ranzini, ortopedista e médico do esporte do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

É preciso brincar mais!
Ele explica que brincadeiras como pega-pega, queimada, pula-corda, entre outras, são muito importantes para o desenvolvimento motor, neurológico e psíquico, e precisam ser mais estimuladas. “Os pequenos precisam praticar atividade física com regularidade. A frequência é a mesma recomendada para adultos: três a seis vezes por semana, por no mínimo 40 minutos, e um dia de descanso”, orienta o especialista. Mas é importante deixar claro que o pediatra sempre deve ser consultado antes de se iniciar os exercícios.

No início não é fácil, afinal o celular está sempre ao alcance das mãos e pode ser uma alternativa cômoda para distrair as crianças. Disputar a atenção com a telinha dos smartphones também não é uma tarefa simples, é preciso persistência para sair da zona de conforto. O Dr. Roberto aconselha fixar horários e rotina para todas as atividades e procurar aquelas mais lúdicas para ganhar a atenção e a adesão da criançada. Solte a imaginação e envolva-se nas brincadeiras também. A vida real pode ser mais divertida e interessante do que a virtual.