Crianças são as principais vítimas de estupro em Erechim

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Quando uma mulher é vítima de estupro, os casos de ataques em locais escuros por um homem desconhecido são minoria. Na verdade, a maior parte das vítimas são crianças, e a maioria de seus estupradores são parentes ou conhecidos da família. Essa é a realidade do Brasil e Erechim faz parte desse triste cenário. Segundo dados da Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher – DEAM- , só neste ano foram registrados 70 casos de estupros na cidade. 42 deles praticados contra menores de 14 anos consideradas vítimas vulneráveis.

Mas o problema é ainda mais alarmante conforme explica a titular da DEAM, delegada Raquel Koldberg, dos 42 casos de estupro investigados na delegacia, a maioria foram praticados contra menores de 12 anos. E, muitos deles, as vítimas foram crianças de 2 e 3 anos de idade. “É um problema presente e é difícil de ser denunciado porque o maior numero de registros de estupro que nós temos hoje aqui em Erechim são casos de estupro de vulnerável. Nesse contexto, nos estupros de vulnerável, eles mais ocorrem no meio infrafamiliar ou de pessoas próximas, agregados, pessoas amigas que tem um convívio frequente. A denúncia do fato é mais difícil bem como a apuração. Em muitos casos a gente precisa a intervenção do conselho tutelar e de outros agentes da rede de apoio como escola, unidades básicas de saúde e outros lugares onde essa criança transitou pra que a gente consiga coletar elementos de prova por outros meios.”, explica a delegada.

Conivência é crime

O que preocupa os órgãos de segurança é que muitos fatos não chegam ao conhecimento da polícia. Caracterizados por estupro, exploração sexual, pornografia infantil e assédio, os crimes sexuais cometidos contra crianças são uma brutalidade que fere os direitos humanos e, infelizmente, são a realidade da vida doméstica — principal ambiente agressor — de dezenas de menores. Os danos ocasionados por tais atrocidades se refletem por toda a vida das vítimas através de traumas, uma vez que deterioram profundamente a saúde física e a mental de quem as sofre. “É um fato bastante grave, ele deve ser denunciado. A gente sabe o como é difícil, mas é preciso ser denunciado. Se a família ou alguém que tiver conhecimento se omitir, outros órgãos são acionados. E a família pode ser responsabilizada por omissão. Teve casos aqui em Erechim que mãe e avó foram também indiciadas em razão da prática do fato. Porque sabiam, porque eram coniventes”, destaca Raquel.

Como denunciar

Segundo o artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em caso de suspeita ou confirmação de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes, de qualquer tipo, incluindo a violência sexual (abuso ou exploração sexual), o caso deve ser sempre denunciado. Serviços de apoio, como o Disque 100, existem para dar fim ao ciclo de agonia ao qual crianças e adolescentes estão expostos. Eles precisam de auxílio para ter seus direitos garantidos, dignidade preservada e dificuldades superadas.

Disque 100 é gratuito!