Grupo no Brasil também testará dexametasona no tratamento de pacientes com covid-19

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Cientistas da Universidade de Oxford anunciaram nesta terça (16) que um corticosteroide barato, a dexametasona, é o primeiro medicamento que comprovadamente reduz de forma significativa a mortalidade de pacientes com covid-19 hospitalizados. Os dados são de um ensaio clínico com 6 mil pacientes ainda não publicado em revista científica.

O medicamento reduziu cerca de 35% das mortes em pacientes que recebiam ventilação pulmonar mecânica. Nos infectados que precisavam de inalação de oxigênio suplementar, sem a intubação, a redução nas mortes foi de aproximadamente 20%. Os pesquisadores não viram benefícios em usar o medicamento em pacientes que não precisavam de suporte respiratório.

No país, um grupo formado por profissionais de alguns dos principais hospitais brasileiros para testar potenciais terapias para a Covid-19, o Coalizão Covid Brasil,  já testa a dexametasona e, segundo os pesquisadores, o recrutamento de pacientes para o experimento está em fase avançada. Os resultados preliminares devem estar disponíveis até o início de agosto.

Participarão do estudo cerca de 350 pacientes de covid-19 no estado mais grave. Os infectados vão ser divididos em dois grupos, um recebe o tratamento padrão para a doença com a dexametasona e outro grupo fica apenas com o tratamento padrão, explica Luciano Cesar Pontes de Azevedo, superintendente de Ensino no Hospital Sírio-Libanês, e membro do grupo.

O médico afirma ser provável que o uso do remédio em pacientes da covid-19 comece a ser incorporado mesmo antes dessa publicação.

— É um medicamento de baixo custo e que é utilizado há bastante tempo em pacientes hospitalizados; conhecemos vantagens e desvantagens — diz.