Laboratório Central do Estado finaliza primeiros testes e descarta 86 suspeitas para coronavírus no RS

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O Laboratório Central do Estado (Lacen) concluiu os primeiros testes para o novo coronavírus. A boa notícia é que os resultados saíram mais rápido e também que foram descartados para covid-19. No total, até as 16h30min, 86 foram negativos. Os kits para saber se o paciente está ou não com a doença chegaram ao Rio Grande do Sul na quinta-feira (5).

Na sexta-feira (6), os servidores da Seção de Virologia do Lacen, setor que realiza os testes, passaram por capacitação e já realizaram os primeiros 43 procedimentos. Foram treinados por técnicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, que é quem produz os insumos para os exames e é para onde a Secretaria Estadual da Saúde (SES) enviava as amostras com as suspeitas da infecção. Nesta segunda (9), foram realizados mais 43. O tempo para se chegar aos resultados caiu de até oito dias para até 48 horas.

Os kits ficam em uma sala de isolamento, no 3º andar do Lacen. GaúchaZH esteve na Seção de Virologia na tarde desta segunda-feira.

— Tratamos o coronavírus como emergência. Isso faz a gente redobrar os nossos esforços. As chefias nos ajudam a prover as nossas necessidades, como o reforço de pessoal —diz Zenaida Marion Alves Nunes, farmacêutica bioquímica que é chefe do setor há 21 anos.

Seis pessoas estão envolvidas diretamente nos testes de coronavírus no Lacen. São duas biólogas, uma auxiliar de laboratório e duas estagiárias. A equipe ganhou reforço de uma biomédica da prefeitura de Porto Alegre. Experiente, o grupo trabalhou na pandemia de gripe A, em 2009.

Etapas dos testes
As amostras de casos suspeitos de coronavírus chegam ao Lacen em caixas refrigeradas, enviadas pelas prefeituras. Quando o material chega, já está registrado com todos os dados do paciente no Cadastro Gerenciador de Ambiente Laboratorial, sistema acessado pelo Estado e por municípios.

Os kits de amostras para coleta de material são enviados pelo Estado aos municípios. Ele é composto por três swabs, tipo de haste plástica com algodões nas pontas que coleta a secreção, colocada em um pequeno tubo. O material é imediatamente refrigerado para envio ao Lacen. Quando chegam ao local, as amostradas são conferidas e enviadas à Seção de Virologia, onde passam por nova conferência de dados.

Segundo a bióloga e responsável pelos resultados de vírus respiratórios do laboratório, Tatiana Schaffer Gregianini, as amostras com o material dos suspeitos de coronavírus são colocadas em tubos menores, e ficam em um freezer, numa temperatura de 80ºC negativos. Logo depois, são levadas para uma sala de isolamento higienizada, onde fica apenas quem está fazendo o teste.

Para entrar nesse local, são utilizados avental, máscara, touca, luvas, óculos e cobertura para os pés. Tudo para manter o ambiente seguro para quem está manuseando as amostras e para que o resultado não seja comprometido. Nessa sala, é feita, com os kits enviados pelo Ministério da Saúde, a extração do material genético do vírus. São utilizados pequenos tubos e reagentes. Dali, vai para outro ambiente, onde ocorre mais uma etapa do procedimento. Em vez de equipamentos, parte do teste é feita manualmente. Até quatro salas podem ser usadas durante os trabalhos.

— Estamos fazendo orçamento para compra de um equipamento que faça esse procedimento. Não agilizaria o exame, mas permitiria a liberação do profissional que está fazendo tudo manualmente para outras atividades — relata a chefe do Lacen, Rosane Campanher Ramos.

GaúchaZH apurou que esse equipamento pode chegar a R$ 1 milhão. Existe no Lacen um semelhante, mas usado para outros testes. A etapa final para saber se o paciente está ou não com coronavírus é feita em uma máquina chamada termociclador em tempo real.

— Quando as amostras têm três curvas para cima aqui no gráfico, deu positivo. Neste aqui, por exemplo, todos deram negativo — explicou Tatiana, apontando para a tela de um computador com códigos e um gráfico, sem nomes de pacientes.

A etapa seguinte é entrar no Cadastro Gerenciador de Ambiente Laboratorial para informar os resultados. De lá, as prefeituras terão acesso e poderão comunicar os pacientes. O Centro de Operações de Emergências da SES é avisado para providências e posterior divulgação. Os exames podem ser repetidos em caso de dúvida.

Zenaida projeta aumento dos testes quando a temperatura cair.

— Deverá aumentar a demanda mais no inverno. A gente está se preparando para isso. Em 2009, demorou um pouco até nos adaptarmos à metodologia. Desta vez, foi mais rápido — diz a farmacêutica bioquímica, ainda sustentando que a rotina com os demais testes segue normal.

Dados de coronavírus
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde divulgou o último boletim epidemiológico sobre a covid-19. Foram notificados até o momento 218 casos suspeitos, dos quais 38 são novos em relação ao boletim anterior. Entre os notificados, 112 permanecem como suspeitos e seguem em investigação, outros 75 foram descartados para coronavírus. Parte dos casos descartados pelo Lacen não está nesse último boletim epidemiológico.