Nível dos mares sobe 2,5 vezes mais rápido que no século XX, diz relatório da ONU

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O nível dos mares subiu 2,5 vezes mais rápido no início do século XXI na comparação com o século XX e continuará aumentando principalmente em consequência da retração das calotas polares, afirma um relatório de especialistas da ONU sobre o clima publicado nesta quarta-feira (25).

Conforme o documento, independente da hipótese, o nível dos oceanos continuará subindo depois de 2100. Em um mundo com +2°C, o ritmo de aumento pode ser estabilizado até alcançar um metro em 2300. No entanto, se as emissões de gases do efeito estufa continuarem no ritmo atual, o aumento será de vários metros, de acordo com o relatório.

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas (ONU), a devastação dos mares e das regiões geladas devido às alterações climáticas é o principal problema do planeta. É urgente priorizar “ações oportunas, ambiciosas e coordenadas” de forma a enfrentar estas mudanças “sem precedentes e duradouras” nos oceanos e na criosfera – regiões cobertas por gelo e neve permanentes e que constituem 10% da superfície do planeta –, alerta o parecer.

Durante este século, os oceanos poderão sofrer alterações “sem precedentes”, com temperaturas mais altas, água mais ácida, menos oxigênio e condições alteradas de produção de recursos. O gelo das regiões geladas, como o Ártico por exemplo, estão derretendo a um ritmo nunca antes registado e, em consequência, o nível dos oceanos está elevando pondo em causa a vida de mais de milhões de pessoas, advertem os cientistas no documento.

O IPCC estabelece que “o oceano e a criosfera acolhem habitats únicos e estão ligados a outros componentes do sistema climático através de trocas globais de água, energia e carbono”. A verdade é que cerca de “670 milhões de pessoas nas regiões de alta montanha e 680 milhões de pessoas nas zonas costeiras mais baixas dependem diretamente destes sistemas”. Por exemplo, pelo menos “4 milhões de pessoas vivem permanentemente na região do Ártico” e serão afetadas com o degelo e a subida do nível do mar.

Este relatório destaca, ainda, os benefícios de uma adaptação “ambiciosa e eficaz para o desenvolvimento sustentável” e os “custos e riscos crescentes de uma ação adiada”.