Preço do leite aumenta mais de 20% desde o início do ano no RS

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O leite está cada vez mais caro para o consumidor. O reajuste dos combustíveis e da energia elétrica ajudaram a elevar o preço do produto em 22,75% este ano. Enquanto isso, quem produz também não está satisfeito com o valor pago pelas indústrias.

O litro do leite nos supermercados está custando, em média, R$ 2,27. O economista José Martins dos Santos, diz que o preço não deve baixar para o consumidor tão cedo.

“Há um problema de inflação, com aumento de custos, os insumos subiram bastante, e há também um problema de oligopolização desse mercado. Ou seja, a margem de lucro subiu bastante, e isso tem a ver um pouco com o fechamento desse mercado e com a expectativa de inflação”, diz Santos, que é professor de economia da UFFS.

O produto que chega cada vez mais caro na mesa do consumidor não reflete o preço pago pelo trabalho realizado aqui no campo. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura, aqui no Rio Grande do Sul, nos últimos seis meses, cerca de dois mil agricultores abandonaram a atividade por causa da crise no setor leiteiro.

“Existe uma insegurança muito grande do que pode acontecer na cadeia do leite, e isso tem feito com que os jovens tenham decidido ir para a cidade, deixar suas propriedades. O agricultor se sente desestimulado e, às vezes procura outras atividades ou até mesmo deixa a propriedade”, diz o coordenador na Sutraf no Alto Uruguai, Douglas Cenci.

Na propriedade de Luís Carlos Rizzi, são produzidos em média 15 mil litros de leite por mês. Ele diz que os insumos usados, como milho e óleo diesel, ficaram mais caros. No entanto o valor que ele recebe da indústria continua o mesmo: cerca de R$ 0,75 pelo litro. Por isso, o lucro ficou menor.

“O desânimo vai fazendo a gente desistir, não dá mais animo de aplicar dinheiro ou melhorar o plantel ou construir alguma coisa, porque o cara não tem garantia de nada, de preço”, diz Rizzi.

Para não abandonar o campo de vez, a família teve que diminuir a produção. Também precisou vender oito vacas desde o início do ano.

“Já são 30 anos que a gente tá na produção de leite e essa é a situação mais difícil que a gente vem enfrentando”, diz a produtora rural Maria Angélica Rizzi.