Aplicações de renda fixa rendem negativo com a crise do coronavírus; veja como proteger seus investimentos

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Acostumados a ouvir que Renda Fixa é garantia de não perder dinheiro, muitos investidores têm sido surpreendidos por tombos em suas aplicações nos últimos meses. Alguns produtos indicados como conservadores têm dado prejuízo em meio ao pânico nos mercados em razão do coronavírus – entre eles, os populares Fundos de Renda Fixa, oferecidos em larga escala por bancos, e Títulos do Tesouro Direto.

Quem tem dinheiro em Tesouro IPCA, que paga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acrescido de bônus, viu as economias emagrecerem 0,31% em abril e deve ter uma nova perda de 0,37% em maio, conforme as projeções de economistas para a inflação.

— Esta queda se reflete no valor aplicado. É verdade que o dinheiro não perde poder de compra, pois acompanha uma deflação geral, mas também não rende — explica o operador de Renda Fixa da Nova Futura Investimentos, André Alírio.

Mas não há motivo para pânico, tranquiliza o especialista. Como os títulos do Tesouro IPCA pagam bônus para quem mantém o valor até o vencimento, em geral de 2% a 3% ao ano, estas taxas podem servir de contrapeso, pelo menos por ora, para o efeito da deflação. Além disso, a projeção de economistas no Boletim Focus do Banco Central é que haverá inflação em 2020, ainda que baixa, de 1,59%.

— Quem está desconfortável com o Tesouro IPCA pode migrar para os Títulos do Tesouro Selic, que são pós-fixados (pagam o valor da Taxa Básica de Juros no momento do resgate) e dificilmente serão negativos no Brasil — recomenda Alírio.

Em situação semelhante estão os Fundos de Renda Fixa, que prometem um juro alinhado à Taxa Selic, atualmente em 3% ao ano – patamar mais baixo da história. Muitos produtos oferecidos por bancos ou corretoras têm apresentado resultado negativo nos últimos meses. De acordo com a (Anbima), a rentabilidade média dos fundos de renda fixa indexados (que perseguem índices como IPCA e Selic) caiu 1,17% desde o início do ano até esta terça-feira (19).

Alguns fundos conservadores dos grandes bancos tiveram queda. O Fundo BTG Pactual Yield DI se desvalorizou 3,97% no acumulado do ano. O Fundo Diferenciado do Itaú, também de baixo risco, perdeu 0,25% em abril e -0,05% no ano. Na Caixa, o popular Fundo de Renda Fixa Geração Jovem perdeu 0,57% em 2020.

— Os fundos de renda fixa já vinham perdendo rentabilidade com a queda na Selic, mas depois da pandemia muitos começaram a render negativo — explica Mauro Gelain, gestor da Geral Asset.

Dois fatores explicam as quedas. O principal é a redução da Selic. Como muitos fundos que cobram taxas de administração de 2% a 3% ao ano, praticamente todo lucro do investidor é corroído pela cobrança. Para evitar entrar no negativo, o Banco do Brasil reduziu neste mês a taxa de administração de 3% para 2,25% de uma de suas aplicações mais populares, o Renda Fixa Curto Prazo Automático. Ainda assim, o rendimento acumulado no ano é de apenas 0,5%.

Muitos fundos conservadores aplicam uma pequena fatia de seu patrimônio em títulos mais agressivos, como crédito privado (empréstimos a empresas). Estes papéis desabaram com a crise econômica, puxando para baixo o já apertado rendimento de aplicações conservadoras.

— São fatores que reforçam a importância do investidor acompanhar de perto a taxa de administração e o rendimento mensal de seus fundos — afirma Mauro.

Para quem pretende mudar de investimento mas manter-se fiel a alternativas conservadoras, o especialista recomenda que procure CDBs de bancos menores, que podem pagar até 120% do DI (referência da Taxa Selic no mercado financeiro).

Aplicações em risco

Fundos de Renda Fixa – Aqueles com taxa de administração acima de 0,75% ao ano e que têm fatias aplicadas em crédito privado ou debêntures correm mais risco de operar no negativo.

Tesouro IPCA – Com a queda mensal da inflação, os investidores perdem dinheiro. Entretanto, o bônus oferecido podem compensar a queda para quem mantém o dinheiro aplicado até o resgate.
Opções para não perder dinheiro
CDBs – Bancos pequenos e corretoras oferecem CDBs que pagam até 120% de DI (atualmente em 2,90% ao ano), o que traz uma garantia de rendimento positivo.

LCI – Letras de Crédito Imobiliário (LCI) pagam juro próximo ao DI, mas com vantagem de ter isenção de Imposto de Renda, o que aumenta a rentabilidade.

Tesouro Selic – Paga o juro básico calculado no momento do resgate, que o mercado financeiro aposta que permanecerá acima de 2% pelo menos neste ano.