Caminhada une religiões no Seminário de Fátima em Erechim

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Chamar atenção para a diversidade, o respeito, o amor às múltiplas expressões religiosas e alertar para os perigos da intolerância. Com esses objetivos, integrantes de religiões de matriz africana, espíritas e cristãos se uniram na tarde deste domingo (26) e realizaram a 1ª Caminhada pelo Respeito à Diversidade Religiosa, em Erechim.

O grupo, formado por cerca de 30 pessoas, se reuniu às 17h na Praça da Bandeira e seguiu em passeata até o Seminário Nossa Senhora de Fátima, onde na porta da igreja, foi recebido pelo reitor do santuário, padre Valter Girelli.

“Dias atrás, postei no Facebook um vídeo lembrando que essa esplanada (do Seminário de Fátima) não é de nenhuma religião, de nenhuma igreja. É um dos espaços mais ecumênicos e inter-religioso da cidade. Aqui podem vir pessoas de todos os credos, raças, culturas, classe sociais, porque é um espaço para a convivência. Sem amor não somos nada. Tudo vai passar, só o que vai permanecer, é o amor”, frisou o padre.

A professora e umbandista, Elisa Pilotto, disse que “essa primeira caminhada é muito importante, porque a gente está vivendo um momento, em toda a sociedade, de intolerância religiosa. Das mais diversas formas, nenhuma está sendo respeitada, mas é preciso ter consciência que as religiões de matriz africana são as que mais sofrem atos de intolerância”.

Ressurgimento da intolerância

Como símbolo da integração proporcionada pelo encontro, os participantes escolheram a água, que também é o símbolo da vida. Padre Valter solicitou que todos que carregavam garrafas de água, derramassem o conteúdo em um recipiente, para representar as diferentes crenças. Após, cada religioso, usando os ritos de sua própria crença para abençoar o líquido e após, todos receberam benção. “Com a água queremos marcar a possibilidade de construirmos uma nova realidade de diálogo, de respeito, de paciência e reconhecimento da divindade e das diferenças”.

Padre Valter ressaltou ainda que “vivemos hoje o ressurgimento de uma intolerância muito forte, não só religiosa. Intolerância política, de ordem sexual, intolerância contra os pobres, os negros, os índios, aquele que crê diferente de mim. Não podemos entrar nessa, temos que nos deixar guiar pelo princípio maior, que é o princípio do amor”, disse padre Girelli.

União

O grupo entrou no Seminário de Fátima tocando atabaque e cantando rezas para Oxalá, o que chamou a atenção de centenas de pessoas que passavam a tarde no local. Em respeito aos religiosos, o volume da música que tocava nas tendas da Festa di Bacco foi reduzido até que encerrasse o encontro.

Aos poucos, muitas pessoas se deslocaram até a frente da igreja para conferir o que estava acontecendo e se juntaram aos momentos de oração e bênçãos com a água.