Comparação entre salários explica revolta de professores com pacote

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Colocadas lado a lado, as três tabelas de subsídios que acompanham os projetos encaminhados à Assembleia pelo governador Eduardo Leite explicam a revolta dos professores que marcharam nesta quinta-feira (14) pelas ruas de Porto Alegre e, debaixo de chuva, protestaram em frente ao Palácio Piratini.
Comparados aos brigadianos e aos servidores do Instituto-Geral de Perícias (IGP), cuja forma de remuneração está sendo mudada para subsídio, os professores estão abaixo da linha da pobreza.

O novo plano de carreira do magistério proposto pelo governo para professores com carga horária de 40 horas semanais começa pelo piso de R$ 2.557 (para quem tem apenas o Ensino Médio) e chega a no máximo R$ 3.887,30 (pós-graduação, mestrado ou doutorado). Na Brigada, o soldado já ingressa com R$ 4.689,27. No último posto, o de coronel, o subsídio chega a R$ 27.919,16. Traduzindo, um coronel vale por 7,18 professores com doutorado. Um major, com salário de R$ 22.614,51, por 5,8 mestres.

Se a comparação for com os subsídios do IGP, o resultado é igualmente desolador para quem forma os profissionais de todas as áreas. A tabela do IGP começa em R$ 4.647,76 (técnico em perícias de primeira classe) e vai a R$ 18.442,54 (perito criminal especial e médico-legista).

Leite não está inovando. As tabelas são a tradução da realidade de hoje, em que os servidores da segurança, assim como os da Secretaria da Fazenda e da Procuradoria-Geral do Estado, ganham bem mais do que professores.

Não se questiona a importância dos servidores da área de segurança, os únicos que ganharam aumento nos últimos cinco anos. Inaceitável é o tratamento dado aos professores ao longo da história, como se fossem profissionais de segunda classe.

O Cpers Sindicato anunciou nesta quinta-feira, durante manifestação às portas do Palácio Piratini, que a partir de segunda-feira (18) iniciará uma das mais fortes greves que o Rio Grande do Sul já viu.