Brasil tem apenas 63% dos jovens de 19 anos com Ensino Médio; meta é de 90% até 2022

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O Brasil ainda está longe de cumprir uma das cinco metas estabelecidas pelo movimento Todos pela Educação para qualificar a Educação Básica pública no país. Enquanto o objetivo do item 4 é fazer com que 90% ou mais dos jovens de 19 anos tenham completado o Ensino Médio até 2022, o índice atual aponta que apenas 63,5% dos alunos dessa idade finalizaram o terceiro ano em 2018. Em comparação com o ano passado, houve um aumento discreto, de pouco mais de quatro pontos percentuais — em 2017, 59,2% estudantes de 19 anos haviam terminado o Ensino Médio até a idade limite.

Na comparação com a média nacional, o Rio Grande do Sul apresenta um resultado um pouco melhor: neste ano, 65,6% dos jovens de até 19 anos concluíram o Ensino Médio, um acréscimo de mais de cinco pontos percentuais em relação a 2017. No ranking de todas as unidades da federação, o Rio Grande do Sul aparece em sétimo lugar, empatado com Mato Grosso e atrás de São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Santa Catarina, Roraima e Pernambuco.

O Rio Grande do Sul também supera o Brasil no avanço total obtido desde 2012, ano a partir do qual passam a ser possíveis comparações entre levantamentos realizados em anos diferentes, de acordo com a nova metodologia adotada. De lá para cá, o Brasil elevou o número de estudantes de 19 anos que concluíram o Ensino Médio em 11,8%, enquanto o desempenho gaúcho atingiu a taxa de 14,5% de acréscimo.

O levantamento, que também destaca indicadores de conclusão do Ensino Fundamental e panoramas que refletem as disparidades entre brancos e negros e moradores de áreas urbanas e rurais, é baseado em dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-C). O Todos pela Educação, movimento plural e suprapartidário fundado em 2006, tem outros quatro objetivos estipulados até 2022, além do avaliado na pesquisa atual: toda criança e todo jovem de quatro a 17 anos na escola, toda criança plenamente alfabetizada até os oito anos, todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano e investimento em educação ampliado e bem gerido.

Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do Todos pela Educação, classifica como um “fracasso” o sistema educacional do país. Para o economista, os avanços são apenas pontuais. De acordo com o levantamento, somente oito unidades da federação têm taxas de conclusão superiores a 65%, e nenhuma delas ultrapassa os 80%.

– Além da baixa qualidade do ensino, vamos deixando muitos para trás. Dois terços apenas dos jovens de 19 anos completaram o Ensino Médio. E não basta concluir, eles têm que concluir aprendendo – detalha Corrêa. – É um cenário muito crítico, um cenário grave. A nível nacional, ainda é uma situação desalentadora.

Estratégias de aperfeiçoamento

Gabriel Corrêa, do Todos pela Educação, destaca que, devido ao lento progresso, fica cada vez mais evidente que os objetivos não serão atingidos no prazo estipulado. Como estratégia para aperfeiçoar a rede de ensino, Corrêa reforça que é fundamental que a nova administração federal atue articulada com os municípios e os Estados. A implementação de duas grandes mudanças, a Base Nacional Comum Curricular e o novo Ensino Médio, são consideradas imprescindíveis pelo especialista:

– A escola precisa estar de acordo com a vida do jovem. A escola brasileira é ultrapassada, com modelo muito tradicional. O jovem tem muito pouco protagonismo nos seus estudos. Em outros países, ele começa a fazer escolhas no Ensino Médio: que caminhos vai seguir, onde vai se aprofundar. Temos que aprofundar a flexibilização curricular.

Quanto ao caso específico do ensino gaúcho, o economista avalia que, ao se considerar o produto interno bruto (PIB) per capita do Estado, esperava-se um desempenho mais chamativo:

– A educação do Rio Grande do Sul poderia estar num patamar mais elevado. O próximo governador tem de melhorar muito as políticas educacionais.

Outro dado que desponta do levantamento diz respeito a onde estão as maiores taxas de insucesso: de cada cem alunos matriculados no 1º ano do Ensino Médio, 23 não avançam para a etapa seguinte.