“Nunca imaginei que passaria por uma situação assim”, diz Ronaldinho sobre prisão

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Ex-jogador conversou com jornalistas paraguaios no hotel onde cumpre pena domiciliar, ao lado do irmão, em Assunção

Nesta segunda-feira (27), o rosto de Ronaldinho estampa mais uma vez a capa do ABC Color, jornal de maior circulação do Paraguai. Em uma sala do hotel onde cumpre prisão domiciliar com o irmão, Roberto de Assis Moreira, em Assunção, o ex-atleta concedeu a primeira entrevista desde que foi detido por ingressar no país com documentos adulterados.

— Tudo que fazemos é em virtude de contratos que são gerenciados pelo meu irmão, que é meu representante. Neste caso, viemos para participar do lançamento de um cassino online, conforme se especificava no contrato, e para o lançamento do livro Craque da Vida, que foi organizado com a empresa no Brasil que tem os direitos de exploração do livro no Paraguai — contou ele em um trecho da conversa publicada no site do jornal.

A empresa de comunicação anunciou que irá veicular a entrevista de Ronaldinho ao longo do dia em sua rádio e TV. Após uma introdução em que foi abordada a carreira do ex-jogador, questionando-o sobre a disputa da Copa América de 1999 e das conquistas por Seleção Brasileira e Barcelona, os jornalistas indagaram o craque gaúcho sobre o que ele sentiu quando foi preso pela polícia paraguaia, no dia 6 de março.

— Foi um duro golpe. Nunca imaginei que passaria por uma situação assim. Toda a vida busquei chegar ao mais alto nível profissional e levar alegria às pessoas com meu futebol — disse ele — Ficamos totalmente surpresos ao saber que os documentos eram ilegais. Desde então, nossa intenção tem sido colaborar com a Justiça para esclarecer o fato, como viemos fazendo desde o princípio. Desde esse momento até hoje, temos explicado tudo e facilitado tudo o que a Justiça nos solicitou — relatou.

Ronaldinho também comentou sobre o período em que permaneceu encarcerado na Agrupación Especializada da Polícia Nacional. Ao longo de mais de um mês em que esteve neste local, ele chegou a ser fotografo jogando futebol com outros presos e distribuiu autógrafos.

— Todas as pessoas com as quais tive a oportunidade de conviver na Agrupación me receberam de maneira amável. Jogar futebol, dar autógrafos, tirar fotos, é parte da minha vida. Não teria nenhum motivo para deixar de fazer. Muito menos com pessoas, que estavam vivendo um difícil momento igual a mim — explicou ele.

Ao final da entrevista, o ex-camisa 10 se disse esperançoso de que a Justiça paraguaia o absolva das acusações e manifestou como o primeiro objetivo a ser realizado quando voltar ao Brasil sua vontade de rever a mãe, dona Miguelina, que vive em Porto Alegre.

— O primeiro será dar um beijo grande na minha mãe, que vive estes dias difíceis, desde o início da pandemia da covid-19, na sua casa. Depois, será absorver o impacto que esta situação gerou, e seguir adiante com fé e força — declarou.