Sartori anuncia que servidores do RS terão dias de greve descontados

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O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, anunciou no começo da noite desta terça-feira (18) que os servidores que fizerem greve nos próximos dias terão descontos nos salários pelos dias não trabalhados. No mesmo dia, mais de 40 categorias do funcionalismo público gaúcho haviam aprovado a paralisação de três dias, em protesto contra o parcelamento de salários e outras medidas adotadas pelo governo gaúcho para combater a crise financeira.

“A partir de hoje, determinei aos secretários de estado que presença será presença, e falta será falta. Significa que o ponto será controlado, e os dias serão descontados dos que não trabalharem. E solicito a todos os servidores do Rio Grande, a todos que participam desse momento e dessa ocasião, que pelo bem da sociedade gaúcha, e pelo povo do Rio Grande, não paralisem suas atividades”, disse o governador.

O anúncio foi dado durante uma breve entrevista coletiva concedida no Palácio Piratini. O governador respondeu apenas duas perguntas e se retirou, ignorando os jornalistas que faziam outros questionamentos.

A paralisação foi aprovada em assembleia unificada realizada no Largo Glênio Peres, no centro da capital. Segundo estimativa da Brigada Militar, cerca de 30 mil pessoas participam do ato. Após a reunião, o grupo marchou até o Palácio Piratini.

Por volta das 16h, parte dos manifestantes ocupou as galerias da Assembleia Legislativa, que fica em frente à sede do Executivo. Com bandeiras, eles protestam contra o parcelamento de salários e outras medidas adotadas pelo governo gaúcho para combater a crise financeira.

Do local, os servidores iniciaram uma marcha até as imediações do Palácio Piratini, a sede do governo gaúcho, e da Assembleia Legislativa, onde pretendem entregar um documento aos deputados.

Os servidores, que realizaram um dia de paralisação no dia 3 de agosto em todo o estado, são contrários às medidas do governo na tentativa de conter a crise no estado, entre elas o parcelamento dos salários de julho. Os vencimentos seriam pagos em três parcelas, mas o Palácio Piratini decidiu quitar a folha antes do prazo e atrasar o pagamento da parcela da dívida com a União.

A greve dos funcionários públicos inicia nesta quarta-feira (19) e vai até sexta-feira (21). Os servidores também decidiram que, caso ocorra um novo atraso nos salários no dia 31 deste mês, uma nova paralisação, desta vez de quatro dias, será realizada no dia 1º de setembro.

Pela manhã, várias categorias fizeram assembleias isoladas. O Centro dos Professores do Estado (Cpers-Sindicato) reuniu milhares de filiados no Ginásio Gigantinho. De lá, eles saíram em marcha pelas avenidas Padre Cacique e Praia de Belas até o centro da cidade. Já os policiais civis se reuniram em frente ao Palácio da Polícia, onde também realizaram uma assembleia. Após o ato, saíram em caminhada com outras categorias da segurança.

Serviços serão afetados
A mobilização dos servidores vai afetar a prestação de alguns serviços no estado, muitos deles essenciais, como segurança e educação. Segundo o Cpers, não haverá aula nas escolas estaduais até sexta-feira.

Desde 3 de agosto, algumas instituições já adotavam turno reduzido. Por conta das mobilizações desta terça, a maioria das escolas estaduais não recebeu estudantes pela manhã. No Colégio Júlio de Castilhos, um dos maiores de Porto Alegre, cartazes foram fixados nas paredes e portões.

Também não teve aulas nas escolas de Bagé, na Campanha. De lá saíram cerca de 100 professores para participar das assembleias na capital. Do Norte do estado saíram ainda mais: cerca de 600 professores embarcaram, de madrugada, em 15 ônibus. Mais da metade das escolas estaduais de Passo Fundo ficaram fechadas total ou parcialmente.

A maioria das escolas públicas de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, também não abriu. Na escola Ernesto Alves de Oliveira, três professores foram dar aulas. Mas apenas dois deles tiveram para quem ensinar, já que alunos de apenas uma turma apareceram.