Dom José oficializa novo Pároco da Paróquia N. Sra. do Rosário de...

Dom José oficializa novo Pároco da Paróquia N. Sra. do Rosário de Barão de Cotegipe

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Pe. Jair Carlesso, até o início deste ano Diretor do Instituto de Teologia e Pastoral – ITEPA, foi oficializado pároco da Paróquia N. Sra. do Rosário de Barão de Cotegipe por Dom José em missa na igreja local, na noite deste sábado, véspera do segundo domingo da Quaresma. Com ele, oficializou também o Pe. Jóssi Golembiewski como Vigário Paroquial, até agora administrador da Paróquia desde maio do ano passado. Além dos dois padres, outros seis concelebraram com o Bispo. Representantes de todas as comunidades e familiares dos pais do Jair participaram da celebração.

No início de sua reflexão, o Bispo agradeceu ao Pe. Jóssi pelo trabalho realizado até agora na Paróquia. Depois, recordando o tempo da quaresma, destacou sua característica de chamado a todos à conversão, que exige mudanças difíceis de realizar. Destacou o patriarca da fé, Abraão, reconhecido por judeus, muçulmanos e cristãos, que deixou sua terra, sua casa, sua parentela obedecendo à voz de Deus. Destacou a necessidade de se escutar e seguir Cristo, a partir do evangelho do dia que apresenta sua transfiguração na montanha. Por ela, Cristo revelou aos três discípulos que levou consigo o esplendor da sua ressurreição após a morte dolorosa na cruz. Para o bispo, quando escutamos e acolhemos o Senhor em nosso coração, deixando que suas palavras orientem nossa vida, nossas relações na família e na comunidade, podemos também experimentar uma transfiguração interior que nos permite ver e sentir a beleza de sermos filhos e filhas de Deus; de contemplarmos a obra do Criador e cuidarmos da Casa Comum, com seus biomas e a vida que neles está presente, valorizando-a como dom e graça de Deus.

Seguindo o rito próprio da oficialização de Párocos, Dom José convidou Pe. Jair a renovar seus compromissos da ordenação presbiteral e lhe entregou os símbolos próprios de sua função, a bíblia, a estola e a chave do sacrário. A estola foi levada ao bispo pelos pais do novo Pároco.

Após o rito da comunhão, houve algumas manifestações:
– pela paróquia, a coordenadora do conselho, Neide Follador, expressou acolhimento ao Pe. Jair, garantindo-lhe total colaboração em seu trabalho. Agradeceu ao Pe. Jóssi pelo trabalho desenvolvido até agora, destacando a alegria de todos por poder continuar a tê-lo na Paróquia.
– Pe. Jóssi agradeceu ao Pe. Cleocir Bonetti pela convivência e trabalho conjunto no início do ano passado, antes de ser transferido para Aratiba. Disse sentir-se feliz por estar com os paroquianos de Barão de Cotegipe. Agradeceu a todos, contando com a compreensão em relação a suas limitações. Manifestou também sua alegria em trabalhar agora com o Pe. Jair, que pode contar sempre com ele.
– Joni Giacomel, vice-prefeito, em nome do poder público municipal, externou a alegria em acolher o novo Pároco, desejando que se sinta mais um cotegipense. Agradeceu aos padres que o precederam na Paróquia e o trabalho por eles realizado.
– Pe. Jair testemunhou sua disposição de sempre servir ao povo de Deus onde fosse necessário. Por isso, aceitou a solicitação de Dom José de assumir a Paróquia de Barão de Cotegipe, consciente do desafio que significa, especialmente pelas crises dos tempos atuais. Assume com alegria esta missão, contando com o Pe. Jóssi, com Pe. Anderson, reitor do Seminário local Bom Pastor e Pe. Ângelo que reside na paróquia, na medida de suas possibilidades, e com as lideranças das comunidades. Conta também com a orientação da Diocese. Informou que vai continuar com atividades no ITEPA.

Por fim, lida a ata, o Bispo e os padres abençoaram os participantes. A maior parte deles participou de jantar de confraternização no salão paroquial.

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Íntegra da homilia do Bispo:
Minhas saudações ao Pe. Cleocir Bonetti, Vigário Geral da nossa Diocese, ao Pe. Antoninho, Chanceler da Cúria, ao Pe. Jóssi, administrador desta paróquia, e, através dele saúdo todos os sacerdotes e seminaristas presentes. Minhas saudações ao Pe. Jair Carlesso, que hoje assume as funções de pároco desta Paróquia dedicada a Nossa Senhora do Rosário, neste Ano Nacional Mariano. Saúdo também seus familiares, os Conselhos e as lideranças de todas as comunidades da Paróquia, o querido povo de Deus desta e de outras paróquias aqui presente. Recordo com afeto e estima os enfermos e seus familiares, os idosos e todos aqueles que por limitações físicas ou por compromissos não puderam vir celebrar conosco.
Permitam-me expressar minha gratidão ao Pe. Jóssi, que aceitou assumir como administrador desta Paróquia, quando da transferência do Pe. Cleocir, no final de abril do ano passado. Gratidão pelo zelo, trabalho e empenho em cuidar da caminhada de fé do povo, com a colaboração do Pe. Ângelo, do Pe. Anderson, e com a participação ativa das lideranças. Com o Conselho Econômico e a generosidade deste querido povo, pôde também levar adiante o projeto de revitalização de parte das estruturas físicas desta paróquia, de modo especial a casa paroquial. Muito obrigado, Pe. Jóssi; és pequeno de estatura, mas tens a vontade de um homem tocado pela graça de Deus no exercício do teu ministério sacerdotal.
Queridos irmão e irmãs em Cristo Jesus, estamos celebrando a Quaresma. Ela nos convida à conversão, a nos aproximarmos da misericórdia de Deus. Mas, para isso acontecer, muitas vezes temos que mudar. Toda mudança é difícil, porque mexe com o nosso comodismo, com as nossas seguranças, com a nossa vida interior e exterior. Os grandes homens mencionados na Sagrada Escritura também precisaram mudar para seguir o chamado de Deus. Abraão é convidado a fazer uma ruptura radical com um mundo marcado pela morte, mas que permitia a sobrevivência em caso de seca e carestia. Tratava-se de lançar-se em direção a um futuro desconhecido, vivendo como um homem sem pátria, um marginalizado da sociedade. Ele deveria fazer o mesmo caminho do Oriente ao Ocidente percorrido pela primeira humanidade desobediente, que depois tentou construir a torre de Babel (Gn 11,2). Parece quase que retomou o caminho do ponto do qual os homens e mulheres tinham se desviado do Criador. É este o início da eleição de Abraão: um convite para partir, para tornar-e livre, aceitando o desafio da separação da sua terra, do lugar e das pessoas que conhecia, que faziam parte da sua vida, que lhe davam segurança.
Partir para um lugar desconhecido foi uma decisão difícil para Abraão. Mas, ao escutar a palavra do Senhor, ele tem a oportunidade de mudar sua vida, que será marcada pelas bênçãos divinas, que produzirão dois frutos visíveis: será o pai de um grande povo, e seu nome entrará para a história, será reconhecido, será recordado pelas gerações futuras como o eleito por Deus. Abraão será instrumento de bênçãos, não somente para aqueles que estão ao seu redor, mas também para todos os povos em todos os confins da terra. A bênção de Abraão poderá realmente chegar a toda a humanidade depois da partida do patriarca, hoje lembrado como o pai na fé pelos hebreus, cristãos e muçulmanos.
Deus fala e Abraão põem-se a caminho. Neste tempo da Quaresma, Deus fala ao nosso coração, à nossa comunidade cristã e, ao acolhermos sua Palavra, nós também teremos forças para nos libertarmos dos vícios e do pecado que nos afastam ou nos afastaram de Deus, das pessoas que amamos, da nossa família e da comunidade de fé. Faremos o caminho do retorno para o coração de Deus Pai se abrirmos a porta do nosso coração para acolher a sua palavra, valorizando a vida, a casa comum, como dom divino para cada um de nós.
Muitas vezes, encontramos desafios na vida pessoal e familiar, no ambiente de trabalho, na comunidade de fé. Mas não podemos esquecer-nos da misericórdia, da bondade, do amor, da compaixão e do dom de Deus, que nos torna parte de uma comunidade, da família de Abraão que leva a bênção por onde caminha, para um mundo marcado por sinais de morte e sedento de amor e de vida.
Cada um de nós pode ser portador da bênção de Deus com sua vida, com sua vocação. Não podemos deixar que o desânimo e as críticas daqueles que consomem a vida como mensageiros do maligno façam morada no nosso coração, favorecendo o enfraquecimento da comunidade de fé, nos recorda São Paulo, na carta a Timóteo (Tm 1,8b-10).
No Evangelho de Mateus que ouvimos, percebemos a voz do Pai que nos convida a escutar seu Filho. Este episódio da Transfiguração, que aconteceu no Monte Tabor, foi num momento em estava aumentando a oposição contra Jesus, e os apóstolos pareciam desanimados porque tinham ouvido da própria boca de Jesus que era necessário que o Filho do homem fosse a Jerusalém onde sofreria muito e seria morto. O anúncio toca o coração e o ânimo dos discípulos. Jesus os leva sobre o monte para confortá-los, para que vejam, com os olhos e o coração, a sua glória, que a Páscoa revelará de modo definitivo ao mundo. O evangelista Mateus conta este fato para mostrar-nos que Jesus é verdadeiramente o esperado. Mesmo quando está sofrendo ele é o esperado; é o Messias prometido. Isso fica muito claro quando os três discípulos podem contemplar as duas figuras fundamentais do Antigo Testamento: Moisés e Elias ao lado do Senhor.
Moisés transmitiu a lei ao seu povo e Jesus veio levá-la ao cumprimento. Elias foi enviado para renovar a profissão da verdadeira fé em Deus, e Jesus leva ao seu aperfeiçoamento a adoração de Deus. A legitimação mais profunda de que Jesus é o Messias prometido vem de Deus. “Este é o meu Filho amado”. A luz, o esplendor das vestes, a nuvem luminosa atestam aos três apóstolos que eles estão diante de uma manifestação – epifania – de Deus, que confirma que eles estão seguindo o profeta e o mestre prometido: “Escutai-o”. Escutar significa crer e obedecer quando Jesus, como novo Moisés, anuncia a lei da Nova Aliança, mas também quando ele fala dos seus sofrimentos e convida a segui-lo no caminho da cruz. O convite será acolhido pela comunidade cristã, que cantará “Jesus Cristo é o Senhor” (Fil 2,11).
Quando escutamos e acolhemos o Senhor em nosso coração, deixando que suas palavras orientem nossa vida, nossas relações na família e na comunidade, podemos também nós experimentar uma transfiguração interior que nos permite ver e sentir a beleza de sermos filhos e filhas de Deus; de contemplarmos a obra do Criador e cuidarmos da Casa Comum, com seus biomas e a vida que neles está presente, valorizando-a como dom e graça de Deus.
Ó Maria Santíssima, Senhora do Rosário, mãe de Jesus, intercede junto ao Pai pela nossa conversão, para acolhermos o Senhor em nosso coração e anunciá-lo ao mundo pelo testemunho de fé e vida.
Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo.