Empreiteiro diz que Marco Maia pediu R$ 1 milhão em propina

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O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro afirmou em depoimento na Justiça Federal de Curitiba que o deputado federal Marco Maia (PT-RS) o procurou, em 2014, para cobrar propina em troca de proteção a sua empresa na comissão que investigou irregularidades na Petrobras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por meio de nota, o parlamentar gaúcho disse que as afirmações do empresário são “mentirosas, fruto de retaliação de um criminoso” (leia a íntegra abaixo).

O empreiteiro falou ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em 1ª instância. Na época dos fatos narrados, Marco Maia era o relator da CPI Mista da Petrobras. Segundo o empreiteiro, que foi preso pela segunda vez na semana passada, o encontro com o então relator da comissão ocorreu numa residência em Brasília.

“Eu fui procurado pelo deputado Marco Maia, relator da CPI (…) Então, ele teria condições de ajudar no sentido de proteger a nossa empresa”, disse Pinheiro.

Segundo o empreiteiro, Maia pediu propina disfarçada de doação eleitoral, no valor de R$ 1 milhão. Ainda de acordo com Léo Pinheiro, o deputado teria sido incisivo, dizendo que ele é quem teria a palavra final na CPI e que a negociação teria que ser com ele.

Léo Pinheiro disse ainda a Sérgio Moro que pagou esse valor de R$ 1 milhão para um empresário indicado por Marco Maia. Logo após essa resposta, o magistrado pediu que o empreiteiro falasse apenas do caso envolvendo o ex-senador Gim Argello, que era alvo da denúncia do MPF.

Condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Lava Jato, o executivo teve a negociação de delação premiada suspensa pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A interrupção foi provocada pela divulgação de informações sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. O ministro teria sido citado por Léo Pinheiro, o que é negado pelo procurador-geral.

Nota do deputado Marco Maia

“Com relação ás declarações dadas pelo Sr. Léo Pinheiro as quais cita a minha pessoa, gostaria de dizer. Tais afirmações são mentirosas, fruto de retaliação de um criminoso por mim indiciado na CPMI. Refuto com indignação tais ilações!

Fui relator de uma CPMI em 2014, onde foi pedido o indiciamento daqueles que hoje me acusam. Foram 52 indiciamentos, mais o pedido de investigações de 20 empresas ao CADE pela prática de crime de cartel.

Como já havia afirmado anteriormente, não recebi nenhuma doação para minha campanha eleitoral de 2014 de quaisquer empresas que estivessem sendo investigadas por tal CPMI.

Por fim, utilizarei de todas as medidas legais para que a verdade seja estabelecida e para que os possíveis desgastes a minha imagem parlamentar seja reparado em sua integralidade.