Gorduras: consumo pode aumentar risco de mortalidade

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Estudo divulgado em julho no Jama Internal Medicine, publicação da associação norte-americana de medicina, associa o consumo de maiores quantidades de gorduras saturadas e trans à elevação do risco de mortalidade. A pesquisa da Harvard T. H. Chan Escola de Saúde Pública foi desenvolvida em um grande estudo populacional por mais de três décadas. Os pesquisadores descobriram que o maior consumo de gorduras saturadas e trans está associado ao aumento da mortalidade em comparação com a mesma dieta de calorias de carboidratos. Além disso, a substituição de gorduras saturadas por gorduras insaturadas conferiu benefícios substanciais à saúde, ligando o consumo de maiores quantidades de gorduras insaturadas a menor mortalidade.

O oncologista Dr. Stephen Stefani afirma que já existia uma percepção de que o tipo de dieta poderia impactar no risco de morte por várias causas, como acontece em doenças cardiovasculares e câncer. “Mas os dados apresentados mostram que o impacto é ainda mais robusto e clinicamente importante, com diferenças significativas entre os grupos”, acrescenta o oncologista. Ele lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda limitar a ingesta de gordura trans para menos de 1% do total de consumo, enquanto a Academia Nacional de Saúde Norte-Americana recomenda redução para zero.

O cardiologista Cristiano Jaeger diz que embora esses efeitos negativos já fossem conhecidos, o fato relevante é que se trata de um estudo clínico de grande impacto comprovando a redução da mortalidade com a adoção de uma dieta adequada. “Essa é a grande novidade”, salienta. Dr Jaeger ressalta que os resultados reforçam a importância da prevenção cardiovascular e da mudança de hábitos para evitar fatores de risco como sedentarismo, obesidade e tabagismo.

O estudo publicado recentemente sugere que a substituição de gorduras saturadas como manteiga, banha e gordura na carne vermelha por gordura insaturada de óleo à base de plantas e alimentos como azeite, óleo de canola e óleo de soja pode trazer benefícios substanciais para a saúde e deve continuar sendo um fator importante nas recomendações dietéticas.

O trabalho incluiu 126.233 participantes que responderam perguntas da pesquisa sobre sua dieta, estilo de vida e saúde por até 32 anos. Durante o estudo, 33.304 mortes foram documentadas. Os pesquisadores analisaram a relação entre tipos de gorduras na dieta dos participantes, as mortes durante o período de estudo, bem como mortes por doença cardiovascular (DCV), câncer, doença neurodegenerativa e doenças respiratórias.

Diferentes tipos de gordura na dieta tiveram associações com mortalidade e as gorduras trans alcançaram o impacto negativo mais significativo sobre a saúde. Cada 2% de maior ingestão de gordura trans foi associado com uma possibilidade de 16% mais elevada de morte prematura durante o período do estudo. O maior consumo de gorduras saturadas também foi associado com maior risco de mortalidade. Quando comparado com o mesmo número de calorias provenientes de carboidratos, cada aumento de 5% no consumo de gorduras saturadas foi associada a um risco mais elevado de 8% da mortalidade geral.