Jornalista que morreu em praia do Uruguai é velado em Mariano Moro

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A manhã desta quarta-feira (10) foi de despedida ao jornalista gaúcho que morreu afogado em uma praia do Uruguai no último sábado (6). Robson Pandolfi, de 31 anos, foi velado em Mariano Moro,  sua cidade natal.

O luto era o sentimento no município de pouco mais de 2 mil habitantes. A despedida reuniu amigos e parentes na Igreja Matriz.

“Conhecia ele desde criança. Ele era praticamente da família, porque conviveu e estudou junto com a minha filha”, lamenta o agricultor Armando Vendrame, morador da cidade.

Robson passava férias com a namorada, o pai e amigos na praia de Portezuelo, na costa uruguaia. No sábado (6), ele e Alexandre Blankl Batista, de 38 anos, estavam na água quando desapareceram.

“Estava todo mundo junto, se banhando, era umas 15 pessoas. Eu estava perto dele até 10 minutos antes da tragédia”, lembra o pai Décio Carlos Pandolfi.

Robson teria se afogado após salvar o sobrinho dele, de 10 anos.

“O menino estaria se afogando e os dois conseguiram empurrá-lo para a beira da praia. A criança teria se desesperado e saído da água para pedir ajuda. Quando a ajuda chegou, não encontraram mais os amigos”, contou ao G1 o sócio da vítima, Ricardo Lacerda.

Conforme ele, na hora do acidente, no fim da tarde de sábado (6), não havia mais guarda-vidas na praia. “Depois é que eles chegaram para as buscas. Como anoiteceu, deixaram para o dia seguinte”, relata Lacerda. Os corpos dos dois só foram encontrados no domingo (7), a mais de 10 quilômetros de distância do local onde se banhavam.

A família diz ter recebido todo o apoio das autoridades uruguaias. No entanto, reclamou das condições de segurança para os banhistas.

“É tudo muito bonito, mas tudo muito precário. Não tem segurança, a gente não conseguiu helicóptero, mergulhador. Nos apoiaram muito com barcos, mas assim… não tinha salva-vidas”, lembra o pai.

Depois das homenagens, o corpo de Robson vai ser encaminhado para Passo Fundo para a cerimônia de cremação, como era vontade do jornalista, segundo a família. Em Porto Alegre, está marcada uma homenagem na sexta-feira (12), às 19h, em uma capela localizada no mesmo prédio do seu local de trabalho, na Rua Duque de Caxias, 805, no Centro Histórico.

Pandolfi foi professor universitário e tinha uma agência de conteúdo em Porto Alegre. O pai dele, Décio Carlos Pandolfi, é sócio-proprietário da Rádio Belos FM e do jornal Folhasete, em Santa Catarina.

Especialista em Política Internacional, Pandolfi estava cursando mestrado em Computação Aplicada, com pesquisas voltadas para as aplicações da Inteligência Artificial no jornalismo. Foi ganhador dos prêmios CNI, da Confederação Nacional da Indústria, e Fiep de Jornalismo Econômico, entregue pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná.

O amigo que morreu na mesma ocasião, Alexandre Blankl Batista, de 38 anos, também gaúcho, era professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Marechal Cândido Rondon, onde vivia.

O campus da Unioeste no município, do qual o professor fazia parte desde 2007, decretou luto oficial de três dias. Batista era formado em história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).