Alto Uruguai que encolhe

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O IBGE divulgou as estimativas das populações residentes nos 5.570 municípios brasileiros, com data de referência em 1º de julho de 2019. Como ocorre todos os anos, o instituto tem até 31 de agosto para divulgar a estimativa de população, que é um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União para o cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e também referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos.

De acordo com os números, estima-se que o Brasil tenha 210,1 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento populacional de 0,79% ao ano, apresentando queda do crescimento quando comparado ao período 2017/2018, conforme a Projeção da População 2018.

As populações dos municípios foram estimadas por procedimento matemático e são o resultado da distribuição das populações dos estados, projetadas por métodos demográficos, entre seus diversos municípios. O método baseia-se na projeção da população estadual e na tendência de crescimento dos municípios, delineada pelas populações municipais captadas nos dois últimos Censos Demográficos (2000 e 2010) e ajustadas. As estimativas municipais também incorporam alterações de limites territoriais municipais ocorridas após 2010.

Em 2019, pouco mais da metade da população brasileira (57,4% ou 120,7 milhões de habitantes) se concentra em apenas 5,8% dos municípios (324 municípios), que são aqueles com mais de 100 mil habitantes. Já os 48 municípios com mais de 500 mil habitantes concentram quase 1/3 da população (31,7%, ou 66,5 milhões de pessoas).

Por outro lado, na maior parte dos municípios (68,2%, ou 3.670 municípios), com até 20 mil pessoas, residem apenas 15,2% da população do país (32,0 milhões de pessoas).

Números podem ser contestados pelos municípios

Como os dados do IBGE são uma estimativa, os municípios que não reconhecerem os números apresentados no levantamento podem contestá-los até o final de setembro. As estimativas definitivas serão encaminhadas pelo IBGE ao TCU dia 31 de outubro.

Mais de 90% dos municípios da AMAU tiveram redução no número de habitantes

Enquanto no país 28,6% dos municípios apresentaram redução da população, no Alto Uruguai esse número é superior a 90%, já que apenas três dos 32 municípios tiveram incremento populacional no último ano.

E essa redução populacional parece ser uma tendência. Na última década a população somada dos 32 município da Amau chegava a 227.735 habitantes. A estimativa do IBGE aponta que em 2019 residam no Alto Uruguai 223.910, ou seja, 3.825 pessoas a menos, um número superior à população da maioria dos municípios da região. Porém a redução não é homogênea. A principal cidade, Erechim, segue crescendo, enquanto a redução ocorre em municípios menores. Em 1999 Erechim tinha, segundo o IBGE, 87.893 habitantes. Uma década depois, em 2009, chegou a 97.916, um aumento de pouco mais de 10 mil habitantes. Já em 2019 Erechim tem 105.862, um crescimento de quase 8 mil habitantes.  Além de Erechim, apenas outros dois municípios registraram estimativa de aumento da população na região no último ano. Paulo Bento, com seis habitantes a mais que em 2018, e Quatro Irmãos, com três a mais em relação ao ano passado.

Falta de acessos isola municípios

Nos últimos 20 anos alguns municípios perderam número considerável de habitantes. Um exemplo é Itatiba do Sul. Segundo os dados do IBGE o município tem hoje menos de 60% dos habitantes de duas décadas atrás.

Apesar de contestar os números apresentados, já que pelos cadastros do Programa de Saúde da Família Itatiba do Sul teria cerca de 350 habitantes a mais do que a estimativa do IBGE, a prefeita Adriana Kátia Tozzo reconhece que o município enfrenta uma redução no número de habitantes. A falta de um acesso asfáltico ao município é apontado como um limitador para a manutenção dos moradores. “Pela dificuldade de acesso, fica difícil termos alguma empresa se instalando no município e até mesmo morar em Itatiba e estudar fora se torna penoso”, explica Adriana.

Com a economia baseada na agricultura, além de trabalhar na propriedade dos pais, os jovens têm como opção de emprego o comércio local e o serviço público municipal. “Temos desenvolvido programas para fixar os jovens nas propriedades rurais, e conseguimos diminuir o êxodo que foi muito grande há alguns anos, mas a falta de acesso ao município acaba refletindo diretamente nessa situação”, acrescenta a prefeita.

E, não por coincidência, os municípios sem acessos asfálticos da região estão entre os que apresentaram os maiores percentuais de reduções no número de habitantes nas últimas décadas, sendo que no Alto Uruguai eles representam 30% das cidades.

Município Estimativa 2019 Estimativa 2018 Variação 2009 1999
Aratiba 6.235 6.283 -48 6.690 7.107
Áurea 3.554 3.573 -19 3.789 4.016
Barão de Cotegipe 6.623 6.627 -4 6.724 6.848
Barra do Rio Azul 1.690 1.726 -36 1.978 2.379
Benjamin Constant do Sul 1.994 2.031 -37 2.188 2.800
Campinas do Sul 5.454 5.471 -17 5.745 8.382
Carlos Gomes 1.377 1.404 -27 1.718 2.031
Centenário 2.891 2.905 -14 3.100 3.409
Charrua 3.279 3.306 -27 3.642 3.825
Cruzaltense 1.833 1.870 -37 2.266  
Entre Rios do Sul 2.792 2.829 -37 3.087 3.550
Erebango 2.991 2.995 -4 2.936 3.092
Erechim 105.862 105.059 + 803 97.916 87.893
Erval Grande 4.859 4.902 -43 5.367 5.545
Estação 5.958 5.976 -18 6.253 6.350
Faxinalzinho 2.315 2.346 -31 2.607 3.094
Floriano Peixoto 1.766 1.796 -30 2.155 2.482
Gaurama 5.534 5.580 -46 6.232 6.303
Getúlio Vargas 16.212 16.240 -28 16.345 16.332
Ipiranga do Sul 1.889 1.899 -10 2.029 2.272
Itatiba do Sul 3.324 3.420 -96 4.521 5.624
Jacutinga 3.561 3.576 -15 3.615 4.473
Marcelino Ramos 4.402 4.488 -86 5.329 6.448
Mariano Moro 2.031 2.054 -23 2.304 2.493
Paulo Bento 2.293 2.287 + 6 2.149  
Ponte Preta 1.547 1.572 -25 1.846 2.383
Quatro Irmãos 1.849 1.846 + 3 1.791  
São Valentim 3.299 3.341 -42 3.996 4.187
Sertão 5.415 5.519 -104 6.644 7.275
Severiano de Almeida 3.657 3.685 -28 3.966 4.277
Três Arroios 2.668 2.693 -25 3.079 3.213
Viadutos 4.756 4.825 -69 5.728 6.434
223.910 223.126 +784 227.735 224.517