Fruticultura sem uso de agrotóxico é exemplo a ser seguido em Itá

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O dia 11 de janeiro é marcado como o Dia de Combate da Poluição por Agrotóxicos no Brasil, e é do município de Itá (SC) que vem um exemplo de fruticultura que não faz uso de defensivos agrícolas. A plantação de mirtilo (blueberry) fica localizada na Linha Simon, na encosta do Reservatório da Usina Hidrelétrica Itá. Com 20 hectares, o local é um exemplo de que com medidas sustentáveis é possível aliar alta produtividade e respeito ao meio ambiente em um alimento saudável.

O cultivo e o cuidado com o meio ambiente andam lado a lado no cultivo do mirtilo. Além do respeito a área de preservação permanente (APP), as adubações dos cerca de 30 mil pés são feitas a partir do uso de cama de aviário, maravalha e folhas. Agrotóxicos por lá está proibido. Na produção, o lago da UHE não é apenas coadjuvante, é dele que através de uma permissão de uso (PU) se coleta a água para irrigação da plantação e foi graças ao microclima na encosta do Rio Uruguai, após a instalação da Usina, que a planta tipicamente europeia se adaptou bem no local.

De acordo com Gleison Roberto Minella, sócio/administrador do Empório do Mirtilo, a escolha do local levou em conta as características climáticas. “Na Argentina já se produzia mirtilo na encosta do Rio Uruguai, e em 2002, através de uma parceria com a empresa Niceberry, se plantou as primeiras mudas. O clima nos favorece, não temos geada e nossos frutos amadurecem até 20 dias antes que no restante do país”, explica Minella.

A planta se adaptou bem ao clima. Anualmente são colhidas cerca de 25 toneladas do fruto que é vendido tanto in natura quanto processado.

A propriedade é uma das mais de duas mil cadastradas pelo “Vizinhos do Lago”, do Consórcio Itá. O projeto visa estabelecer uma comunicação entre o lindeiro e o empreendimento da Usina Hidrelétrica Itá. Este trabalho de integração é um aliado das boas práticas na encosta do lago e um parceiro na conservação do meio ambiente. Minella destaca a importância desta relação de preservação do meio em que se está inserido. “Estamos em busca do certificado de orgânico para os nossos produtos. Vendemos produtos que fazem bem à saúde, além disso, o fruto sem agrotóxico é mais saboroso”, avalia.

O local recebe turistas do Brasil e exterior o ano todo que vem conhecer a plantação, os produtos e podem aderir ao “Colha e Pague”, possibilitando a experiência de colher e comer o fruto direto da planta. Minella conta ainda que, além do sistema orgânico, outras ações foram implantadas na propriedade em prol da sustentabilidade, dentre elas, a recente instalação de placas solares para geração de energia.