Gaúchos evitam cortar a produção de leite no verão

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Os agropecuaristas gaúchos relutam em aderir à recomendação de reduzir a produção da leite em 10%, feita há um mês pelo Conselho Paritário de Produtores/Indústrias de Leite (Conseleite) como tentativa de equilibrar oferta e demanda e dar chance à recuperação dos preços.

Sindicatos de regiões produtoras admitem que houve queda no volume ofertado nos últimos 30 dias, mas dentro de um padrão normal para a época do ano, quando há menos pastagens disponíveis e o calor provoca estresse nos animais. Liane Brackmann, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia e Westphalia, diz que a proposta do conselho não tinha como ser acatada, a não ser se o produtor desistisse da atividade. “Surpreende a recomendação, pois quem conhece a atividade leiteira sabe que ela exige grande planejamento. A vaca não tem um botão para desligar e fazê-la parar de produzir”, comenta.

Tanto a Fetag quanto o Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados (Sindilat), confirmam que a produção leiteira cai nos meses de calor, mas reiteram que a recomendação do Conseleite se deu para que o produtor tivesse consciência da gravidade dos problemas do setor. O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, ressalta que na próxima reunião do Conseleite, dia 23, se terá uma ideia melhor de recuo da produção e impacto nos preços. “Pelos dados que temos disponíveis, não há sinais de melhora”, adianta. A comparação semanal feita pela Emater apontou cotação média de R$ 0,92 pelo litro de leite no dia 18 de janeiro, inferior à de R$ 1,14 de 19 de janeiro de 2017 e à de R$ 1,07 da média histórica do mês.

 

Fonte: Correio do Povo Online

Via: Jornalismo Rádio Aratiba