Mau humor é termômetro de “overdose” de malhação

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Os médicos de todas as áreas “receitam” exercício físico para combater ou prevenir as mais variadas doenças – infarto, resfriado e até depressão. A preocupação que agora surge no cenário da medicina esportiva é com a “overdose” desta medicação. O tema da moda entre os especialistas é encontrar um instrumento capaz de avaliar quando é hora de reduzir a dose dos treinos. O mau-humor é um dos escolhidos para indicar estes excessos.

“Feito qualquer medicamento de qualidade, o exercício físico também precisa de limites. Mas como é sempre tido como inofensivo, as pessoas esquecem de suspeitar que o excesso desta prática pode fazer mal”, afirmou o médico especializado em medicina do esporte Tales de Carvalho, durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia em Belo Horizonte. (evento usado para definir as novas diretrizes da medicina esportiva do País).

Carvalho e um grupo de cardiologistas e vários locais do País estão empenhados em criar um questionário eficiente e de fácil aplicação para conseguir – em pouco mais de dois minutos – identificar o mal chamado de overtraining (treino em excesso em português), já disseminado como nocivo e perigoso em muitas pesquisas clínicas.

As experiências internacionais e algumas iniciativas isoladas no Brasil já encontraram um início de caminho. O humor e a hipertensão são dois exemplos de melhora imediata com a prática de esporte, seja uma caminhada, ginástica ou boxe, e podem ser usados para avaliar a dose correta das atividades.

“Se a sensação de cansaço, desânimo, tristeza, angústia e mau-humor não melhorarem é indicativo de que a dosagem do exercício pode estar errada. A pressão também precisa ficar controlada ou, em caso de hipertensos, deve reduzir após a prática de atividades”, acrescenta Carvalho que em suas avaliações já utiliza um roteiro de perguntas para identificar se o praticante de exercícios se sente “apavorado”, “confuso”, “cansado” entre outras sensações que denunciam “efeito colateral” do esporte excessivo.