Quem são os impactados pelo parcelamento de salários no RS

1987

Entre os servidores mais afetados pelo parcelamento imposto pelo Palácio Piratini, estão funcionários públicos com salários acima da média, como auditores fiscais e procuradores — os mais bem pagos do Poder Executivo no Rio Grande do Sul. Confirmado na última sexta-feira (31), o fatiamento atingiu 100% dessas categorias.

Em reportagem publicada em 23 de julho, ZH revelou que 304 funcionários da administração direta receberam rendimentos totais superiores ao teto de R$ 30,4 mil em junho, incluindo adicionais como abono de permanência, férias, vantagens eventuais e parcelas indenizatórias. Desses, 287 eram vinculados à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ou à Secretaria da Fazenda — que agora integram a relação dos atingidos pela decisão do governador José Ivo Sartori.

Outra parcela bastante prejudicada, embora não na totalidade, envolve duas áreas vitais para a população: a segurança e a educação. Profissionais de ambos os setores estiveram à frente dos protestos registrados na segunda, e paralisaram parte das atividades.

No caso da segurança, só 15,1% dos servidores foram pagos integralmente. Dos 41 mil vínculos da Brigada Militar, por exemplo, 78% tiveram os contracheques parcelados. Isso significa que somente 9 mil receberam o pagamento completo na sexta-feira. Já delegados da Polícia Civil e oficiais da BM, que ganham mais, enfrentaram a mesma situação vivenciada por auditores e procuradores.

Entre os professores estaduais, pelo menos 62% tiveram a totalidade da remuneração depositada em suas contas bancárias. Isso porque a maioria tem contrato de 20 horas semanais, o que faz com que os valores fiquem abaixo de R$ 2,1 mil, ponto de corte estabelecido pelo governo.

Outros 38% amargaram o parcelamento do salário. Ao todo, a medida atingiu 47,2% do Poder Executivo.